sexta-feira, 29 de abril de 2011

Declarar e aclamar um santo

A notícia de que Bento XVI declarará beato seu antecessor João Paulo II merece reflexão. É uma prática do catolicismo e um direito do Papa. A quase totalidade dos católicos lhe dá este direito. Aceitamos sua liderança. Pode ser que, aos olhos de muitos católicos, João Paulo II devesse esperar, mas milhões acham sua vida, seu testemunho e seus sofrimentos suficientes para que o incluam entre os exemplos a serem seguidos. Ele amou e testemunhou Jesus e viveu heroicamente a sua fé. Não há santos perfeitos neste mundo, mas ele e outros candidatos como Irmã Dulce viveram a fé com maior perfeição do que a nossa. Declaremos e proclamemos. Jesus fez e continua fazendo novos santos.

Os católicos privadamente proclamam alguém santo, ou santa quando percebem valores cristãos elevados nesta pessoa. Oficialmente, porém, alguém é declarado santo ou santa quando sua vida foi toda voltada para Deus e para o próximo. Como se trata de assunto estritamente católico, uma vez que outras igrejas também proclamam a santidade ou vida santa de seus fundadores e fiéis mais ilustres, mas os cultuam de outra forma, vale a pena entender o porquê destas beatificações ou canonizações.

No fundo tudo pode ser resumido nas frases: Deus é glorificado nos seus santos. Foi herói ou heroína da caridade. Deu a vida pelos outros e viveu pelo reino de Deus.

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5, 48)

Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; (I Pd 1, 15). Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus. (Lev 20, 7)

Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos. (Lev 21, 6)

Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo com todos os seus santos. (I Ts 3, 13)

De certa forma o primeiro santo canonizado foi João Batista a quem Jesus declarou santo. Segundo está nos evangelhos, o próprio Jesus deu o critério para o que a Igreja passou a fazer: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelo bem dos outros (Jo 15,13).

Mas nem todos os declarados e aclamados foram imediatamente aceitos pela Igreja. Em alguns casos levou tempo. Houve casos que esperaram 400 anos até serem proclamados e declarados santos, isto é: cristãos sancionados, provados e selados como sinais do Reino. Sanctus, santo, vem de sancire, sancionar. Deus e a Igreja assinariam em baixo desta vida!

Houve casos quase imediatos. Muitos mártires e Francisco de Assis, por exemplo, em menos de um ano foram canonizados. Entraram no cânone dos bem-aventurados que a Igreja aposta que estão salvos e no céu. Ultimamente, José Escrivá, o Fundador da Opus Dei, levou 27 anos. Dom Romero já leva mais de 40 anos em processo e, no entanto, ele morreu pela libertação do seu povo que morria sob uma cruel ditadura.


Tereza de Calcutá levou menos de dez, João XXIII menos de 50, João Paulo II menos de 7, Irmã Dulce menos de 15 anos após a morte. Em alguns casos, a Igreja ouviu a aclamação dos fiéis ou de um grupo de fiéis; em outros, não ouviu e até chegou a tirar da lista de proclamáveis e declaráveis algum candidato sobre quem se lançaram dúvidas pelo que teriam dito e escrito.

É critério da Igreja e não cabe a nenhum grupo querer impor o seu candidato ao reconhecimento de toda a Igreja. E daí? Seu candidato não foi declarado, o que não significa que não tenha levado vida santa. A Igreja não se opõe ao fato de seus fiéis admirarem algum católico que viveu vida heróica. Poderemos pedir a prece de nossos pais e de nossos irmãos de vida santa, desde que não o façamos contra a proposta da Igreja.

Dizer que alguém não será proclamado beato não é o mesmo que dizer que ele não se salvou, que não está no céu ou que sua vida não foi santa. Significa apenas que a Igreja não o proclamará modelo em tudo. Muitos dos santos que admiramos nem sempre escreveram ou disseram coisas hoje aceitas pelos católicos. Estão aí os livros para provar que a Igreja não concorda com eles em tudo. A Igreja mudou muitos conceitos e muitas de suas práticas e hoje, quem dissesse o que eles disseram ou fizesse o que eles fizeram não seria aprovado como modelo de ética cristã. Mas foram vistos como pessoas totalmente dedicadas ao Reino.

Como não há santo sem escorregão e nenhum santo é perfeito e sábio em tudo, a Igreja tem o direito de decidir quem deve ser venerado oficialmente e quem deve esperar. Haverá sempre algum questionamento, mas há que se respeitar a voz do povo e a voz da liderança. Somos produtos de um tempo e os santos viveram outras épocas e outras situações de conflito.

Os irmãos de outras igrejas que cultivem seus heróis do seu jeito. Respeitamos. Mas não nos acusem de adorar os santos! Esta calúnia não admitiremos. Só adoramos a Deus, mas nunca deixaremos de proclamar que ele é bendito pelos santos que nos deu. É bíblico, é teológico e nobre. Gratidão também é sinal de santidade!



Palavra de fé: “Porquanto, é esta a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos aparteis da luxúria, que cada qual saiba tratar sua própria esposa com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como os gentios, que não conhecem a Deus”. (1 Tessalonicenses 4,3)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sermão do Pe. Antônio Vieira

“Para derrubar um reino desunido não são necessários canhões, basta o lápis.”

“As obras da natureza e as da arte todas se conservam e permanecem na união: e todas na desunião se desfazem, se destroem e se acabam. Esta máquina tão bem composta do mundo, como ser obra de braço onipotente, que é o que sustenta e a conserva, senão a perpétua e constante união de suas partes? Esse foi o pensamento profundo do grão príncipe da Igreja, São Pedro, o qual chamou ao fim do mundo desunião do universo.” (...)

“Toda a vida não é mais que uma união. Uma união de pedras é edifício. Uma união de tábuas é navio. Uma união de homens é exército. E sem esta união tudo perde o nome, e mais o ser. O edifício sem união é ruína. O navio sem união é naufrágio. O exército sem união é despojo (despojo – prisioneiro da guerra). Até o homem (cuja vida consiste na união da alma e corpo) com união é homem, sem união é cadáver. A maior obra da sabedoria, e da onipotência divina, que foi o composto infalível de Cristo, consistia em duas uniões: uma união entre o corpo e a alma, e outra união entre a humildade e a o verbo. Quando perdeu a primeira união, deixou de ser homem; se perdera a segunda, deixava de ser Deus. Oh, Deus! Oh, homens! Que só a vossa união vos há de conservar, é só a vossa desunião vos pode perder.” (...)

“Nobreza desunida não pode ser, porque, em sendo desunida, logo deixa de ser nobreza, logo é vileza (vileza, vilão). Para derrubar um reino e muitos reinos onde há desunião não são necessárias baterias, não são necessários canhões, não são necessários trabucos, não são necessárias balas, nem pólvora, basta uma pedra, lápis. O que sustenta e conserva os reinos é a união.” (...)

“Nós temos muito boas mãos e sabem muito bem nossos competidores, mas se não tivermos união, nem eles haverão mister (mister, de ocupar) mãos para nós. Nem a nós nos hão de valer as nossas.”




Palavra de fé: “Para realizá-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra.” (Efésios 1,10)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O orgulho... O orgulhoso

Orgulho é a opinião muito elevada que alguém faz de si mesmo, amor próprio exagerado, prepotência, soberba e aquilo em que se julga superior aos outros.

São atitudes completamente anticristãs. O orgulho revela um desejo de poder e superioridade que acaba por incitar a violência e ambição. Manifesta o gosto pela riqueza, pela autoprojeção pela competição, pelo autoritarismo, pela fama e vanglória (quer dizer, vaidade). Atitudes diabólicas!

Eis o que diz o Senhor: “Eclesiástico 10,7”.

São Paulo falando aos Romanos sobre a caridade fraterna proclama e aconselha: “Romanos 12,16”.

A qualidade fundamental de um verdadeiro cristão é a humildade. E ser humilde e reconhecer-se imperfeito, frágil e pecador e que anseia (ou espera) pela ajuda de Deus e dos irmãos. Confira: “1 Pedro 5,5”.

“Sente-se sempre como uma ponte, nunca como um todo”. (Theodor Fontane)

Precisamos nos tornar conscientes da nossa pobreza e fragilidade e abrirmo-nos para a Palavra de Deus e seus ensinamentos. A fé precisa da Palavra de Deus como uma planta precisa de água.

Deus vê tudo! E alerta: “Isaías 42,8”.



Profissão de fé: “Deixai-vos, pois, instruir por minhas palavras, e nelas encontrareis grandes proveitos”. (Sabedoria 6,25)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Missa X Missão

Missa

Cerimônia eucarística com que a Igreja Católica comemora o sacrifício de Jesus Cristo. Como nos diz São João (1 João 3,11): “Pois esta é a mensagem que tendes ouvido desde o princípio: que vos amemos uns aos outros”. Ou seja, o sacrifício de Jesus foi por amor à humanidade. A missa é estímulo para o exercício do amor e depois dar provas desse amor como cristãos que atuam por Cristo e com Cristo servindo a Comunidade... aprendendo e ensinando.

O nosso amor para com Deus (linha vertical) deve ser vivido concretamente, sobretudo na amizade e no amor fraterno (linha horizontal). Deve passar da “missa” para a “missão” como prova de fraternidade, que não acontece por acaso, mas deve ser criada em nós com fé e razão. O amor necessita ser exercitado para tornar-se visível.

Missão

Encargo, incumbência, delegação divina conferida num intuito religioso, dar testemunho, pregação da Palavra de Deus e a missão de Jesus Cristo.

É, portanto, uma ordem divina levar o Evangelho a todos os homens: “Marcos 16,15”, leia, medite e grave em seu coração. São palavras de Jesus Cristo.

A missão evangelizadora é de todo povo de Deus. Toda a Igreja é missionária e os presbíteros (os padres) como cooperadores dos bispos, tem como primeira tarefa anunciar o Evangelho de Deus a todos na Comunidade e solidarizar-se com as Igrejas domésticas (as famílias) com visitas pastorais. Como os padres faziam antigamente.

Enfim, precisamos mais “missionar” e não simplesmente “missar”.

O dicionário explica a diferença:

Missionar: fazer, participar de missões, pregar a fé, catequizar.

Missar: ouvir a missa (sem uma ação de resposta efetiva).

Na missa devemos extrair ensinamentos para crescimento da fé e caminhar com Jesus em missão.

Concluindo: o sentido imediato da súplica de Jesus é que todos os cristãos sejam unidos entre si, em espírito de verdadeiro amor fraterno e na unidade da fé na missão de Jesus. Eis a súplica de Jesus: “João 17,21”.

Amém!


Palavra de fé: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste antes da criação do mundo”.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O que se lê na Imprensa sobre religião

Religião: rumo aos extremos?


Um estudo internacional divulgado ontem identificou tendência de crescimento no número de pessoas que afirmam não seguir religião alguma em nove países: Austrália, Áustria, Canadá, Finlândia, Holanda, Irlanda, Nova Zelândia, República Tcheca e Suíça. Nesse ritmo, o percentual cada vez menor dos que se declaram religiosos poderia fazer com que se afirmasse, num futuro não muito distante, que a religião simplesmente acabou nesses lugares.


No Brasil, a simples observação dos comportamentos sociais leva a acreditar que aumenta o número de pessoas que não seguem um Deus (ou deuses) institucionalmente estabelecido e representado por uma religião, embora muitos façam a ressalva de que possuem uma espiritualidade própria, que transcende os ritos e normas dos templos. Os resultados detalhados do Censo 2010 poderão confirmar isso ou não.


Ao mesmo tempo, porém, no Brasil e no mundo como um todo, há fortes indícios de que o peso da religião não diminuiu e os religiosos, quando se manifestam, fazem tanto barulho quanto antes, ou até mais. Nesta página mesmo, ma seção de cartas, sempre que surgem assuntos que, de alguma forma, envolvem religião, os debates entre os leitores são acalorados, para dizer o mínimo. A radicalização vem de todos os lados: evangélicos, católicos, espíritas, muçulmanos e assim por diante. Diante disso, deixo aqui uma reflexão: será que a tendência, nesse campo, não é rumarmos para os extremos? De um lado, um percentual crescente de pessoas que não professam nenhuma religião: de outro, religiosos encastelados em nichos cada vez mais ortodoxos.


Quando a religião é um costume amplamente difundido, quase cotidiano, acaba se tornando tão majoritária que é difícil manter sua coesão ideológica. Teoria e prática se distanciam. O sincretismo religioso brasileiro é um ótimo exemplo disso. Não surpreende, portanto, que, cada vez mais, lideranças religiosas católicas e evangélicas se esforcem em combater aqueles que freqüentam com a mesma fé igrejas, templos e terreiros.


O risco da tendência aos extremos é a intolerância. Os religiosos de uma turma não aceitam nem os dias das outras turmas nem os que preferem não ter nenhuma. Os não religiosos também recorrem muitas vezes a ataques ferozes, como se não ter religião fosse uma crença a ser imposta a todos. Prefiro seguir a escritura do que cada uma na sua e respeito incondicional pelas diferenças.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Atendendo a pedidos explicações sobre...


O livro do Apocalipse 1,8


“Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador”.
Explica-se: em grego “Alfa” é a primeira letra do alfabeto, e corresponde ao nosso A. “Ômega”, que corresponde ao nosso Z, é a última letra do alfabeto. O sentido, assim, fica bem claro: Nosso Senhor é o início e o fim, é tudo. Diz-se também Alfa à primeira estrela de uma constelação.

Arca da Aliança

Grande caixa de madeira de acácia com o comprimento de 1,25m (dois côvados e meio – medida de comprimento antiga). Um côvado era igual a 3 palmos de mão ou 66cm. Sua largura, 0,75cm (um côvado e meio), a altura também 0,75cm (um côvado e meio). Por dentro e por fora é toda revestida de ouro puro, além de toda a volta. Nos quatro pés eram colocadas argolas de ouro para passarem dois varais de madeira acácia, revestidas em ouro para poder transportá-la. Uma vez passados os varais pelas argolas não serão mais removidas. A tampa era de ouro puro, com dois querubins de ouro batido nas duas extremidades da tampa. Dentro dessa caixa (a arca) seriam guardadas as tábuas da Lei de Deus, os 10 Mandamentos recebidos por Moisés. A “Arca da Aliança” era para os israelitas o sinal da presença de Deus (Javé) que ajuda o seu povo e caminha com Ele.

Confira com detalhes: “Êxodo 25, 10-22”.


Palavra de fé: “O culto que estes celebram é, aliás, apenas a imagem, sombra das realidades celestiais, como foi revelado a Moisés quando estava para construir o Tabernáculo: Olha, foi lhe dito, faze todas as coisas conforme o modelo que te foi mostrado no Monte (Êxodo 24,40)”. (Hebreus 8,5)