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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Questão de ouvidos

Ver nem sempre é crer e ouvir nem sempre é seguir! Leiam: “João 6,64-69”.


Os apóstolos tinham suas dúvidas, mas ficaram não sem ter que aprender o diálogo e a unidade. Um dos que comeram a mesma mesa não quis dialogar, entregou Jesus e não acreditou em misericórdia.

Destruiu-se carcomido de remorso: “Mateus 27,5”. Pedro também o negou, mas superou a culpa. Acreditou no perdão: “Mateus 26,75”. Ele e outros dez, com Paulo, que veio mais tarde, deram a vida por Cristo. Com eles, milhões de discípulos que nesses vinte séculos de fé permaneceram firmes na Igreja da sua primeira catequese.

Também merecem respeito os que ficaram, enquanto seus irmãos e parentes mudavam de Igreja, mas conseguiram não perder o respeito pelos que foram orar num outro templo e de outro jeito. Não acharam certo, mas não agridem!

O urgente e o básico
Se um grupo de católicos me pedisse dois meses de aulas sobre o que significa ser católico hoje, sugerindo que resumisse para os alunos o básico e o indispensável, eu teria dificuldade.

Teria que saber: a) o seu nível de catequese; b) que livros já leram; c) que pregadores ouviram e ouve, e que ênfase; d) que programas de rádio e televisão vêem ou ouvem; e) a que movimentos se filiaram; f) que canções conhecem e cantam; g) quem são os seus pregadores preferidos.

Indicaria, como sempre, a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica, o Compêndio da Doutrina Social e por estarmos na América Latina, os Documentos do Celam, os principais documentos da CNBB e alguns livros de excelentes escritores católicos.

Se meus interlocutores insistissem em me ouvir, eu lhes daria minhas anotações, parte delas contida neste livro que você lê. Não é tudo, mas é o que eu daria aos meus leitores que não conhecem a maioria dos escritos da nossa Igreja.

Sugeriria que, na dúvida, seguissem os documentos oficiais e seu pregador preferido. Mas que o seu pregador não fosse nunca o primeiro da lista! Primeiro os livros oficiais e a voz dos Bispos! É sempre um risco seguir apenas uma pregação. Vai cair na mesmice. A influência excessiva de um só pregador empobrece. Ninguém é assim tão santo e tão culto. Ninguém sabe suficiente catequese. O pregador único pode errar, como, de fato, muitos fundadores de Comunidades erraram através da história. Há que haver outras referências numa Igreja tão grávida de História e Teologia.

Ouvir os bispos e os teólogos

O discípulo e o missionário católico deveriam dar uma chance especial aos teólogos e pastoralistas que levantam algumas questões essenciais ao Catolicismo. Jesus questionou os apóstolos e Paulo fez o mesmo com quem o questionava. Foi bom para a Igreja. É muito pobre o grupo de Igreja que não pergunta, não deixa perguntar, expulsa quem pergunta demais, não deixar ler os outros e não admite que seus membros abram os olhos, o coração e os horizontes com outros pregadores e outras leituras. Alguém está aprisionando aquele grupo! Orar é vital e perguntar também é! “Mateus 21,24”; “Marcos 9,28” e “João 16,5”




Palavra de fé: “E todo povo ia de manhã cedo ter com ele, no templo, para ouvi-lo”. (Lucas 21,38)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os ajustes no casamento

Casar sem se ajustar é o mesmo que comprar uma casa pronta e não fazer nenhum reparo. Mais cedo ou mais tarde descobrirão que o cômodo, não é necessariamente o melhor. O carpinteiro que colocou a porta principal da nova casa teve que fazer muitos ajustes até que a porta funcionasse. Mexeu no batente, na porta, nos gonzos e na fechadura. Depois veio o pintor. Os dois levaram quase três dias para ajustar uma porta pré fabricada. É que ela estava preparada, mas não estava pronta.

A ternura é a porta principal do casamento. Por ela entrará a felicidade dos dois e também muita coisa perniciosa. Dependerá do tipo de chave, de trave de segurança e do cuidado que terão com aquela porta. Quando alguém é cioso do que tem não deixa a porta escancarada. Mas para que a porta funcione os dois precisarão fazer ajustes.

Nada mais errado do que um casamento onde um, em nome do seu trabalho ou de sua profissão, ou do projeto que fez para ambos exige que o outro engula tudo. Afinal, dizem, ele (ou ela) está cuidando da felicidade do casal! É o seu ponto de vista, mas não é o dos dois. Quem casa quer amar e ser amado e isso exige gentilezas, atenção, cuidados, proximidade, presença, intimidade e momentos quase sagrados e só deles. E não pode ser nem pouco nem de qualquer jeito. Os ajustes do casamento são fundamentais para que os dois possam viver bem e segurar aquela relação.

Nossa sociedade supervalorizou o indivíduo em detrimento da comunidade. Mas é de comunidade que se trata quando alguém se casa. Quem quer que o outro se adapte, mas não faz nenhum esforço para que a pessoa com quem se casou se sinta bem, prometeu e não cumpriu sua parte do trato. A ternura é fundamental. Se não funcionar vai haver conflitos.




Palavra de fé
: “Meu bem amado é para mim e eu para ele; ele apascenta entre os lírios”. (Cânticos dos Cânticos 2,16)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Adoradores radicais

Ouvi esses dias um pregador falar da “cultura de pentecostes” e do “povo de adoradores radicais”. Não se aprofundou, por isso não sei o que ele quis afirmar. Se explicasse em que consiste essa cultura dentro da cultura cristã e, dentro da Igreja Católica, o que significa ser um “adorador radical”, seria mais fácil dialogar com ele.

É que eu me considero pregador da cultura do coração solidário e penso que sou um adorador moderado. Sigo ou tento seguir: “Mateus 5,23”. Jesus diz que a oferta diante do altar espera. Radical é criar um clima de paz. A oferta pode vir depois. Mas o diálogo tem que vir agora. Já!

Então, não acho que basta louvar e orar. Releio “Mateus 7,15-23” e vejo que Jesus põe a justiça em primeiro lugar. Primeiro o justo, depois o adorador. Posso citar mais de 200 passagens dos evangelhos que apontam para a justiça, a fraternidade, a caridade e a ajuda aos irmãos como caminho de luz, de paz e de salvação. Sei também que há pelo menos outras mil passagens que mostram que a oração salva e liberta. Entendo, então, que é preciso agir e orar. Num caso, nós abrimos a porta do lado de fora. No outro, Deus a abre do lado de dentro.

Encaro o céu como o lado de dentro da vida. É como tudo começou e para onde tudo irá um dia. Deus está lá e também no lado de fora. Ele é onipresente. Somos apenas presentes aqui, mas somos convidados, pela justiça, pela compaixão e pela caridade, a criar a paz ao nosso redor e, com isso, a abrir nós mesmos as portas do céu do lado de fora. O céu tem dois tipos de fechaduras: as de dentro e as de fora.

Somos, pois, convidados a falar com o Pai e o Espírito Santo e pedir intercessão do Filho, sem nos esquecermos de pedir aos salvos por ele que também orem por nós. De tanto orar e trocar a campainha do céu, Deus nos abre as portas do lado de dentro. Então o céu nos abre. Estou convencido de que Jesus tem as chaves e que as portas são muitas. No céu espero ver muitos seres humanos bons que chegaram lá por outras portas. É minha forma de ser ecumênico. Jesus deu a entender que é assim. Releio “Mateus 25, 31-46” e me torno cada dia mais ecumênico.




Palavra de fé: “São confundidos os que adoram estátuas e se gloriam em seus ídolos; pois os deuses se prostram diante do Senhor”. (Salmo 96,7)

Obs.: “deuses” = significando anjos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Declarar e aclamar um santo

A notícia de que Bento XVI declarará beato seu antecessor João Paulo II merece reflexão. É uma prática do catolicismo e um direito do Papa. A quase totalidade dos católicos lhe dá este direito. Aceitamos sua liderança. Pode ser que, aos olhos de muitos católicos, João Paulo II devesse esperar, mas milhões acham sua vida, seu testemunho e seus sofrimentos suficientes para que o incluam entre os exemplos a serem seguidos. Ele amou e testemunhou Jesus e viveu heroicamente a sua fé. Não há santos perfeitos neste mundo, mas ele e outros candidatos como Irmã Dulce viveram a fé com maior perfeição do que a nossa. Declaremos e proclamemos. Jesus fez e continua fazendo novos santos.

Os católicos privadamente proclamam alguém santo, ou santa quando percebem valores cristãos elevados nesta pessoa. Oficialmente, porém, alguém é declarado santo ou santa quando sua vida foi toda voltada para Deus e para o próximo. Como se trata de assunto estritamente católico, uma vez que outras igrejas também proclamam a santidade ou vida santa de seus fundadores e fiéis mais ilustres, mas os cultuam de outra forma, vale a pena entender o porquê destas beatificações ou canonizações.

No fundo tudo pode ser resumido nas frases: Deus é glorificado nos seus santos. Foi herói ou heroína da caridade. Deu a vida pelos outros e viveu pelo reino de Deus.

Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5, 48)

Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; (I Pd 1, 15). Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus. (Lev 20, 7)

Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos. (Lev 21, 6)

Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo com todos os seus santos. (I Ts 3, 13)

De certa forma o primeiro santo canonizado foi João Batista a quem Jesus declarou santo. Segundo está nos evangelhos, o próprio Jesus deu o critério para o que a Igreja passou a fazer: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelo bem dos outros (Jo 15,13).

Mas nem todos os declarados e aclamados foram imediatamente aceitos pela Igreja. Em alguns casos levou tempo. Houve casos que esperaram 400 anos até serem proclamados e declarados santos, isto é: cristãos sancionados, provados e selados como sinais do Reino. Sanctus, santo, vem de sancire, sancionar. Deus e a Igreja assinariam em baixo desta vida!

Houve casos quase imediatos. Muitos mártires e Francisco de Assis, por exemplo, em menos de um ano foram canonizados. Entraram no cânone dos bem-aventurados que a Igreja aposta que estão salvos e no céu. Ultimamente, José Escrivá, o Fundador da Opus Dei, levou 27 anos. Dom Romero já leva mais de 40 anos em processo e, no entanto, ele morreu pela libertação do seu povo que morria sob uma cruel ditadura.


Tereza de Calcutá levou menos de dez, João XXIII menos de 50, João Paulo II menos de 7, Irmã Dulce menos de 15 anos após a morte. Em alguns casos, a Igreja ouviu a aclamação dos fiéis ou de um grupo de fiéis; em outros, não ouviu e até chegou a tirar da lista de proclamáveis e declaráveis algum candidato sobre quem se lançaram dúvidas pelo que teriam dito e escrito.

É critério da Igreja e não cabe a nenhum grupo querer impor o seu candidato ao reconhecimento de toda a Igreja. E daí? Seu candidato não foi declarado, o que não significa que não tenha levado vida santa. A Igreja não se opõe ao fato de seus fiéis admirarem algum católico que viveu vida heróica. Poderemos pedir a prece de nossos pais e de nossos irmãos de vida santa, desde que não o façamos contra a proposta da Igreja.

Dizer que alguém não será proclamado beato não é o mesmo que dizer que ele não se salvou, que não está no céu ou que sua vida não foi santa. Significa apenas que a Igreja não o proclamará modelo em tudo. Muitos dos santos que admiramos nem sempre escreveram ou disseram coisas hoje aceitas pelos católicos. Estão aí os livros para provar que a Igreja não concorda com eles em tudo. A Igreja mudou muitos conceitos e muitas de suas práticas e hoje, quem dissesse o que eles disseram ou fizesse o que eles fizeram não seria aprovado como modelo de ética cristã. Mas foram vistos como pessoas totalmente dedicadas ao Reino.

Como não há santo sem escorregão e nenhum santo é perfeito e sábio em tudo, a Igreja tem o direito de decidir quem deve ser venerado oficialmente e quem deve esperar. Haverá sempre algum questionamento, mas há que se respeitar a voz do povo e a voz da liderança. Somos produtos de um tempo e os santos viveram outras épocas e outras situações de conflito.

Os irmãos de outras igrejas que cultivem seus heróis do seu jeito. Respeitamos. Mas não nos acusem de adorar os santos! Esta calúnia não admitiremos. Só adoramos a Deus, mas nunca deixaremos de proclamar que ele é bendito pelos santos que nos deu. É bíblico, é teológico e nobre. Gratidão também é sinal de santidade!



Palavra de fé: “Porquanto, é esta a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos aparteis da luxúria, que cada qual saiba tratar sua própria esposa com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como os gentios, que não conhecem a Deus”. (1 Tessalonicenses 4,3)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Calúnias de maio e de outubro

Pela enésima vez o repórter disse que no dia 12 de outubro os católicos adoram a santa. Faz quase 30 anos que eles, os repórteres, não se corrigem. Em maio ou outubro, quando os católicos veneram Maria, eles repetem a mesma ladainha. Dizem que adoramos a santa... Ou não pesquisam, ou não sabem, ou até é intencional. O erro é gravíssimo, pois soa como calúnia. Católico que é católico sabe a diferença entre adorar e venerar. Só adoramos ao Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A ninguém mais. Ad-orare é palavra do latim formada por dois vocábulos que significam “orar para além do comum”. Adorar é mais do que orar. Por isso não adoramos os santos, porque a eles pedimos cumplicidade, intercessão e preces. Diante de Deus, fazemos mais do que orar: submetemo-nos à sua vontade. É prece de submissão.

Venerar é prestar tributo de admiração e respeito pelo que a pessoa é ou representa. Adoramos a Deus, mas apenas veneramos os seus santos, porque eles souberam servir a Deus e por Ele foram santificados. São pessoas especiais e salvas em Cristo, mas mesmo no céu são limitadas porque não viraram deuses. Atingiram a perfeição de pessoa humana, mas não a perfeição absoluta que, esta, só Deus possui.

Tenho pedido a meus amigos jornalistas que nos ajudem deixando de nos caluniar com vocábulo mal-empregado. Pode não significar nada para eles, mas para nós, faz toda a diferença. Não somos idólatras porque usamos as imagens. Nós não as adoramos, nem mesmo os santos por elas representados. Idolatria é o ato de adorar uma imagem que passa a ser um ídolo. Se não adoramos, é apenas imagem. Não vira ídolo.

Veneramos, respeitamos e elogiamos os santos que Deus fez, mas não adoramos santa nenhuma e nem imagem alguma. Católico que faz isso peca gravemente. Quando jornalistas que deveriam estar mais bem informados, ano após ano em outubro, noticiam que os católicos adoram a imagem da santa ou adoram a santa em Aparecida (SP) ou no Círio de Nazaré, em Belém (PA), e quando alguns pregadores de outras Igrejas insistem em dizer que adoramos os santos e suas imagens, das duas uma: ou querem que se pense mal de nós ou não querem transmitir a verdade. Está nos nossos livros, o povo sabe a diferença, católico algum com o mínimo grau de instrução dirá que adora Nossa Senhora, mas o noticiário das 8 ou o das 10 insistem em dizer que o povo fez fila para adorar a santa.

Sugiro aos católicos que, sempre que isso acontecer, encham de e-mails a emissora, até que seu Departamento de Jornalismo para de nos prejudicar. Nós sabemos a diferença entre venerar e adorar. Já é hora, depois de quase 30 anos, de eles também saberem. Afinal, vivem proclamando que estão a serviço da verdade! E a verdade é que não temos fila de adoração de santa nem de imagem de santos, nem adoramos crucifixos. Sabemos a diferença entre a cruz e o Crucificado. A Este, nós adoramos. Como a cruz não é de Deus, a ela, respeitamos e veneramos. É apenas um objeto, para nós muito especial, mas objeto. Que os católicos reajam. Como está, virou calúnias de maio e de outubro!


Palavra de fé: “Jesus disse-lhes: Está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e a Ele só servirás”. (Lucas 4, 8)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Céu demais

Pode-se crer demais ou de menos. Pode haver céu demais numa cabeça. É isso o que o musical Jesus Christ Superstar lembra, quando o personagem Judas chama a atenção de Jesus para o fato de os outros discípulos estarem com céu demais na cabeça. Os autores do filme, Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, não eram teólogos, mas acertaram quando mostraram esse conflito. Só erraram ao atribuir isso a Judas. Poderiam ter atribuído a frase a algum santo, como Inácio de Loyola, Vicente de Paulo, ou a Jesus, o qual mandava a pessoa deixar a oferta no altar e ir em busca do irmão, pois considerava a reconciliação com os outros mais importante.

Preocupar-se com a fome dos irmãos aqui na terra também é santidade. Quem vive só de céu lá de cima pode ser bem menos santo do que quem vive de céu já neste mundo. Aliás, o cristianismo ensina que alguém do céu desceu a Terra para que começássemos o reino dos Céus neste mundo. Certos cristãos, ao contrário de Jesus, que fez o céu descer a Terra, agem como se a Terra não valesse nada.

A conversa de que só Deus nos basta e o resto não presta, é anticristã. Jesus mesmo respondeu que havia um segundo mandamento, semelhante ao primeiro, o qual compreendia a exigência do amor ao próximo. O conceito “Deus e eu” não faz nenhum sentido se não lhe for acrescido “e os outros”. Os que têm céu demais na cabeça tendem a ser pessimistas diante das dores da Terra. Apontam para o alto, mostrando para onde irão, enquanto se esquecem de olhar os caminhos que os levam para lá. Estão apontando em direção errada.

O Sol não existe para ser olhado cara a cara, mas para iluminar as coisas ao nosso redor. O certo é aproveitar a luz do Sol lá de cima para ver bem o chão onde pisamos. Faça-se o mesmo com a luz de Deus. Sol demais dá problema nos olhos: o sujeito fica cego. Céu demais dá problemas na alma.

Jesus nos ensina outra coisa. Manda dar de comer, de beber, vestir e cuidar dos necessitados (cf. Mt 25, 31-46). Ele quer o céu já na Terra para que ela respire clima de céu. Ele nunca disse que basta orar e dizer “Senhor, Senhor, eu te louvo!”. Quer que arregacemos as mangas. Quem nunca leu isso andou comprando alguma versão errada dos evangelhos...




Palavra de fé: “Feliz o homem que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração, pensa no olhar de Deus que tudo vê”. (Eclesiástico 14,22)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O perigo dos holofotes

Até bem pouco tempo atrás, pouca gente ficava famosa com a música religiosa. Hoje muitos se tornaram grandes nomes por causa de suas canções ou de suas interpretações. Com a fama vem os holofotes e os agentes de publicidade a oferecer seus préstimos. Aí, o cantor católico precisará tomar cuidado. Não faltará quem o convide a aceitar tal e tal tipo de conduta para tal e tal resultado.

A consciência e a formação moral de cada um determinará se vai aceitar ou não o jogo do marketing do mundo ou vai achar o marketing da Igreja. Os holofotes são ótimos porque chamam a atenção para o cantor e o iluminam de modo especial. São perigosos porque com toda aquela luz na cara, ele acabará não vendo mais o povo que o escuta. Holofotes iluminam e destacam. Mas também cegam.

Eu costumo pedir que mostrem mais o povo e menos a mim. Quem já trabalhou comigo sabe que peço poucas luzes no palco. Quero as luzes jogadas sobre o povo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O que a Igreja ensina sobre... Legalização do jogo

Introdução:
Passando à frente de uma casa de “bingos”, na cidade de São Paulo, li uma placa com a seguinte advertência: “O jogo pode viciar e causar problemas financeiros e emocionais”.

Analisando tal advertência, eu me perguntava: “Como pode alguém procurar uma atividade que não lhe oferece nenhum benefício além de um pequeno momento de prazer, com possíveis conseqüências agravantes?”. Surge ainda outra pergunta: “Qual o problema moral que existe em relação ao jogo?”. Os sorteios são fatos que se realizam ao acaso. O acaso é absolutamente neutro em termos morais, as coisas que acontecem ao acaso são, de toda a forma, vontade de Deus, seja para o bem ou para o mal.

Por que então condená-lo? Segundo o dicionário Aurélio, jogo de azar é aquele em que a perda ou o ganho dependem mais da sorte que do cálculo, ou somente da sorte, como por exemplo, o jogo da roleta, loteria, bingos, etc.

Proibido desde 10 de abril de 1946, pelo Decreto Lei nº 9225, o jogo de azar, periodicamente, volta à cena. Propõe-se sua oficialização sempre com os mesmos argumentos enganosos, como se a liberalização trouxesse consigo a moralização.

O problema do jogo é que a pessoa em questão põe valores monetários, fruto do trabalho humano passado, na busca de mais valores ao sabor do acaso, através de um ato deliberado da sua vontade. Ou seja: sem o suor do seu rosto, sem a autoridade e o empenho necessários. O indivíduo, no caso, arrisca o que tem para ter mais, sem esforço continuado. E, muito freqüentemente, as pessoas encontram a ruína financeira nessa prática que se torna viciosa e explorada por outro grupo de pessoas, os empresários de atividades relacionadas ao jogo.

Ou seja, o proprietário da casa de jogos sempre ganha, sem nenhum trabalho produtivo e distribui uma parcela desses valores aos ganhadores pontuais aqui e acolá. De um lado, portanto, temos pessoas desejando fortuna sem trabalho, e de outro lado, exploradores privados desse vício humano. Também existem suspeitas de que as atividades do jogo são controladas por grupos que atuam em outras atividades à margem da lei, trazendo consigo uma série de atividades ilícitas.

Alguns defensores da volta das casas de jogo se justificam porque essas atividades criam empregos, geram renda, impostos, enquanto outros afirmam que o mesmo poderia dizer da prostituição, do tráfico de drogas, do turismo sexual. Pode haver algum benefício social, mas o aspecto negativo não compensa, definitivamente.


Doutrina da Igreja Católica:
Em matéria divulgada a propósito do projeto de lei (Decreto Lei 9225), assim se expressa o Cardeal D. Eugênio Sales, Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro: “Essa é a porta aberta para lavar dinheiro de drogas, seqüestro, tráfico de armas, enfim, atividades do crime organizado”. No mesmo jornal há um elucidativo parecer de um criminalista: “Essa idéia de descriminalizar e ao mesmo tempo permitir os jogos de azar, é um contra-senso do legislador brasileiro.

Na prática, vai privilegiar o Estado que poderá explorar mais esse negócio direta ou indiretamente (por licitação). Para quem sabe da força do lobby em favor da legislação do jogo de azar, não causa surpresa, mas essa tentativa que, em apenas três meses, chegou ao final de sua transmissão no Senado. Os graves malefícios resultantes da jogatina clandestina, como da prostituição e das drogas, são menores se permanecerem na ilegalidade.

Pelo menos a contaminação é dificuldade e, ainda assim, sofre barreira de uma rejeição social. No sentido contrário tudo se nivela: Senhores de bem e comerciantes de tóxicos, ou vendedores de sorte e de sexo serão equiparados perante a Lei.

Jogo de azar conforme o Catecismo da Igreja Católica:

Veja 2413: “Os jogos de azar...”

E mais: 2414: “O sétimo mandamento proíbe...”

terça-feira, 6 de abril de 2010

O que a Igreja pensa sobre... Seqüestro

Doutrina da Igreja Católica


São expressões da cultura da morte as eutanásias, a guerra, a guerrilha, o seqüestro, o terrorismo, o narcotráfico. Os seqüestros e a tomada de reféns fazem reinar o terror e, pela ameaça, exercem pressões intoleráveis sobre as vítimas. São moralmente ilegítimos; absurda violação dos direitos humanos. É moralmente ilegítima, absurda violação dos direitos humanos.

É um espetáculo doloroso e infelizmente freqüente em nosso meio, a prática do seqüestro com diversas finalidades.

Se passar de uma pessoa de modo violento, aprisioná-la em condições desumanas durante vários dias, com a intenção de chegar a matá-la, é profundamente cruel e contrário o respeito pelo outro. Portanto, temos que usar a força do argumento e não o argumento da força.

“A tortura física e psicológica, os seqüestros, a perseguição de dissidentes políticos ou de suspeitos e a exclusão da vida pública por causa das idéias, são sempre condenáveis”. Portanto, os seqüestros são contrários à lei moral. Os seqüestradores devem libertar os reféns e enfrentar os problemas através de um diálogo pacífico.

“É também conhecida a vastidão adquirida pelo fenômeno do seqüestro de pessoas, chaga que assola numerosas famílias e que mostra, mais uma vez, a perversão à qual pode chegar a baixeza humana quando, em nome de infaustos interesses, se perde qualquer perspectiva moral e não se reconhecem e nem respeitam os direitos mais fundamentais do homem.

Muitos destes males tem a sua origem no narcotráfico, com ramificações em muitos setores, e afligem há anos nações com incalculáveis conseqüências negativas em todos os âmbitos da vida social. Perante estes fatos, partilho convosco o sofrimento e aprecio os numerosos esforços realizados para afastar a violência, eliminar as suas causas e atenuar os seus efeitos, prestando uma atenção adequada às vítimas e confortando incansavelmente quantos desejam abandonar a linhagem das armas para empreender o caminho do diálogo pacífico.

terça-feira, 30 de março de 2010

O que a Igreja ensina sobre... Adoção de crianças

“O dom da fecundidade do casal, contudo, deve ser concebido de maneira muito mais ampla do que a única dimensão da fertilidade biológica. O amor esponsal, como manifestação concreta do amor de Deus pela humanidade, é sempre chamado à amar, servir, defender e promover a vida humana (João Paulo II) – em todas as suas dimensões, mesmo quando, de fato, não a pode gerar biologicamente. Por isso, sentimo-nos profundamente próximos dos casais esposos, que ainda não conseguem encontrar na medicina uma solução para a sua condição de esterilidade, encorajá-los fraternalmente a exprimir e realizar igualmente a sua fecundidade conjugal, pondo-se com generosidade ao serviço das numerosas situações humanas necessitadas de amor e de partilha. Entre elas, merecem uma particular menção os institutos sociais de adoção e de entrega periódica da criança a uma família, para os quais desejamos normativas jurídicas cada vez mais capazes de garantir as devidas garantias e, simultaneamente, tempos rápidos para as práticas burocráticas”.

(Comunicado final da X Assembléia Geral da Pontifícia Academia da Vida)

Adoção de embriões:

- A adoção de embriões pode ser a alternativa ao seu uso em pesquisas. Em países onde pesquisas com células-tronco estão legalizadas, como Brasil, Inglaterra, EUA e Coréia, grupos contrários apostam na “adoção” de embriões de clínicas de fecundação assistida, para evitar seu descarte ou uso em pesquisas. Nas clínicas implantam-se no útero embriões congelados e guardados em tanques de nitrogênio, “sobras” de outras fertilizações in vitro. A gestação completa e o parto natural garantem que o bebê seja registrado como filho legítimo, ainda que sem parentesco genético com os pais.

Considerando que:

1. Os embriões são seres humanos vivos em constante desenvolvimento, sujeitos distintos da mãe e de seus progenitores, possuidores desde a sua concepção de identidade genética própria e permanente. E que, portanto, igualmente as pessoas nascidas, são dignas de um sincero respeito, independentemente de seu estágio de desenvolvimento, forma ou tamanho. Não merecem o destino de serem utilizados como matéria-prima de processos industriais ou serem objeto de investigação científica (como “cobaias”).

2. Setores da indústria biotecnológica internacional e alguns pesquisadores brasileiros estão promovendo uma campanha de opinião a favor da utilização “terapêutica” de células embrionárias humanas a partir da destruição de embriões humanos que “sobram” na fertilização in vitro.

Assim sendo, deve ser promovida:

A proteção dos embriões humanos que sobrem nos processos de fecundação assistida. O erro cometido por ocasião da produção e do armazenamento dos embriões, não justifica, agora, um outro erro que é a utilização desses embriões em pesquisas, reduzindo-os ao status de coisa ou objeto e, consequentemente, negando seu significado ontológico.

Com a possibilidade de adoção desses embriões congelados, evitar-se-ia a destruição desses seres humanos. Nesse caso, poderia abrir-se uma exceção, permitindo que mulheres solteiras procriassem (adotassem) esses embriões, além das casadas, ou em união estável. Seria menos mais que a destruição desses embriões.

terça-feira, 23 de março de 2010

Jesus não é um ídolo

Recebo cartas de todo o país. Entre elas, as de alguns que se dizem meus fãs e que sou seu ídolo. Que pena! Por mais branda que seja a palavra ídolo, é sempre errado colocar alguém no lugar de Deus. Ídolo é exatamente isso: um falso Deus. Uma imagem é só uma imagem, um símbolo, uma lembrança ou um sinal, até o momento em que é adorada. Então vira ídolo.

Estátuas e imagens não atrapalham em nada quando são tratadas como objetos de culto e não sujeitos do culto. Faca é coisa boa enquanto bem usada. Mal usada vira objeto perigoso, nas mãos de quem não sabe a diferença é arma. Nas mãos da cozinheira tranqüila é instrumento de trabalho. Estátuas e imagens nas mãos de cristãos inteligentes são apenas instrumentos de culto. Nas mãos de cristão mal evangelizado, se for católico, pode levar à idolatria ou ao culto errado das imagens que a Igreja condena; nas mãos de crente fanático vira objeto de calúnia porque ele passa a acusar quem não é de sua igreja de idólatras, só porque tais pessoas usam imagens. Ele se ofenderia se eu o chamasse de assassino só porque tem uma faca em casa. Se ter uma faca e usá-la direito não é pecado, ter uma imagem e usá-la direito também não é. Está lá na Bíblia deles e na nossa. Deus permite e manda fazer, desde que não sejam adoradas.

A palavra ídolo é mal usada por uns e outros. Espanta-me ver pessoas que chamam Jesus de seu ídolo. Atriz famosa, numa entrevista, interrogada sobre qual era seu ídolo respondeu que era Jesus. Enganou-se, Jesus não ocupa o lugar de Deus. Ele é Deus de verdade. Se Jesus for um simples homem, então católicos e evangélicos são idólatras, porque tanto uns como outros adoram Jesus. Seriam um idólatra acusando o outro. Se Jesus é Deus, então qualquer tributo prestado a ele é louvor verdadeiro. Para o cristão Jesus é Deus e não ídolo.

Da próxima vez que lhe perguntarem sobre seu ídolo, diga que é cristão e por isso não tem ídolos. Nem diga a uma pessoa que você a adora. Adoração, só Deus merece. Queira bem, curta, admire, encante-se, mas não adore nem pessoas e nem coisas. Guarde essa palavra para Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.

Cá entre nós católicos: católico evangelizado não adora nem santo, nem imagem. Ele venera e respeita. Só adora a Deus. Cá entre nós católicos: evangélico evangelizado não acusa levianamente os outros de idólatras... nem se acha verdadeiro adorador desprezando os outros como falsos adoradores. Ele respeita e acaba entendendo que tanto na igreja dele quanto na nossa há idólatras. Todo aquele que põe alguma coisa acima de Deus é idólatra. Quem julga os outros também é... Diga isso aos irmãos que o acusam de estar nas trevas e na idolatria. Há muitas maneiras de ser idólatra: uma delas é brincar de Deus e sairmos por aí julgando os outros e achando-o menos cristãos do que nós.


Revista: O mensageiro de Santo Antônio

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A voz do coração


Quem acha que tanto faz a música e o trajeto, acaba correndo atrás de qualquer trio elétrico. Depois, não reclame se o trio acabar em becos sem saída!


Esses dias, num exame rotineiro de ecocardiograma, vi os sinais e ouvi dez sons diferentes do meu coração. O jovem e tranqüilo médico deu-me essa chance. Foi bonito e foi educativo. Ouvi sons e gostei de saber que um corpo emite sons diferentes a cada nova área que a máquina percorre. Parecemos cavernas e cachoeiras ambulantes, mas não entendi nenhum daqueles sons e sinais.

Ouvi meu coração falando e cantando ritmado, mas não entendi o que ele dizia. Precisei de ajuda de alguém fora para entender meu próprio coração. Espiritualmente, ocorre o mesmo fenômeno. Ninguém é juiz em causa própria. Erraremos, se teimarmos em seguir nosso coração sem consultar alguém que entenda a sua linguagem.

Como frase de efeito, é bonito e até poético mandar alguém seguir a voz do coração. Na realidade, porém, a grande maioria que fez apenas isso, errou feio. Muitos seguiram o que pensavam que o coração dizia, mas o coração não estava dizendo o que depois fizeram. Casaram-se com a pessoa errada ou tomaram a decisão insensata, baseados apenas na voz do coração.

Sem a ajuda da razão, o coração costuma bater errado! Talvez seja por isso que estão nos Profetas, nos Sapienciais, nos Evangelhos, nos Atos e nas Epístolas, com razoável freqüência, as expressões: ficar atento e prestar atenção.

Crer é exatamente isto: prestar atenção nos sons e sinais que vem de dentro e naqueles que nos chegam de fora. Só os de fora não servem e só os de dentro não bastam.

Um verdadeiro crente em Jesus precisa ouvir o próprio coração, mas também deve escutar os irmãos e consultar a Igreja. O coração erra! O erro dos fanáticos e dos hereges foi seguir apenas a voz do coração, e iludidos, afirmar que aquela voz era do Espírito Santo, quando era apenas o eco do seu coração erradamente interpretado.

Eu teria lido errado aquele ecocardiograma. Precisei do médico para entendê-lo. Mateus 18, 17 nos sirva de guia. Ouçamos mais do que a nós mesmos, mais do que a um só profeta. Ouçamos dois ou três, ou a Igreja! Quem apenas se ouviu, errou. Quem seguiu cegamente um só pregador, errou. Nem Jesus quis seguidores cegos. Exigia reflexão e até mandou os agraciados irem aos sacerdotes do seu tempo.

Feliz é aquele que não ouve nem demais e nem de menos a vos do próprio coração. Isso se chama discernimento. Virtude que nem todos valorizam ou pedem. E é a única que nos garante um caminhar sereno e seguro!



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Questionamentos sobre a Vida Eucarística


Levantamos alguns questionamentos iniciais:


1. Deveríamos continuar a falar em preparação para a “Primeira Comunhão”, para a “Primeira Eucaristia”, ou mudar para “preparação para uma Vida Eucarística”?

2. Essa preparação visa apenas a “comunhão com Jesus”, ou a participação da Santa Missa e de toda a vida eucarística da Igreja?

3. Como mudar toda uma mentalidade tradicional no coração dos catequistas, dos pais e padrinhos, bem como das próprias crianças, para que assumam uma nova visão de que se trata de uma preparação apropriada, sábia e muita clara para formar e educar as crianças para uma vida cristã eucarística, e nela, de “comunhões eucarísticas com Jesus”, vida essa que deve ser mantida, aprofundada, cultivada por toda a vida cristã?

4. Como a hierarquia da Igreja deveria agir, em conjunto, por todo o país, a fim de transformar essa tradição tão perniciosa de fazer do dia da primeira comunhão uma “espécie de festa de casamento”, com roupas luxuosas de noivas para as meninas, e ternos com gravatas para os meninos, com banquetes, tantos presentes, tantas fotos e filmagens que enchem a cabecinha das crianças de tantas ilusões, vaidade e expectativas de festas e presentes, e que desvirtuam completamente o significado espiritual católico desse primeiro encontro pessoal com Jesus Sacramentado?


Eis um gigantesco e incômodo desafio a ser enfrentado, se quisermos dar a esse acontecimento o seu significado de “início” de toda uma vida eucarística.

Não é pequeno o sofrimento e nem menor a decepção de catequistas e sacerdotes que, após tantos e tão prolongados esforços e desgastes na preparação das crianças, terminados os dias de festa, constatam que a grande maioria dos neo-comungantes já não participa da Santa Missa dominical e da Sagrada Comunhão.


Por que ocorre essa falta de perseverança?

Até quando isso continuará ocorrendo em nossas Paróquias?


Observação do blog: Quais as conclusões para ações concretas advindas do Ano Catequético Nacional para 2010?