A notícia de que Bento XVI declarará beato seu antecessor João Paulo II merece reflexão. É uma prática do catolicismo e um direito do Papa. A quase totalidade dos católicos lhe dá este direito. Aceitamos sua liderança. Pode ser que, aos olhos de muitos católicos, João Paulo II devesse esperar, mas milhões acham sua vida, seu testemunho e seus sofrimentos suficientes para que o incluam entre os exemplos a serem seguidos. Ele amou e testemunhou Jesus e viveu heroicamente a sua fé. Não há santos perfeitos neste mundo, mas ele e outros candidatos como Irmã Dulce viveram a fé com maior perfeição do que a nossa. Declaremos e proclamemos. Jesus fez e continua fazendo novos santos.
Os católicos privadamente proclamam alguém santo, ou santa quando percebem valores cristãos elevados nesta pessoa. Oficialmente, porém, alguém é declarado santo ou santa quando sua vida foi toda voltada para Deus e para o próximo. Como se trata de assunto estritamente católico, uma vez que outras igrejas também proclamam a santidade ou vida santa de seus fundadores e fiéis mais ilustres, mas os cultuam de outra forma, vale a pena entender o porquê destas beatificações ou canonizações.
No fundo tudo pode ser resumido nas frases: Deus é glorificado nos seus santos. Foi herói ou heroína da caridade. Deu a vida pelos outros e viveu pelo reino de Deus.
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5, 48)
Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; (I Pd 1, 15). Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus. (Lev 20, 7)
Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos. (Lev 21, 6)
Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo com todos os seus santos. (I Ts 3, 13)
De certa forma o primeiro santo canonizado foi João Batista a quem Jesus declarou santo. Segundo está nos evangelhos, o próprio Jesus deu o critério para o que a Igreja passou a fazer: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelo bem dos outros (Jo 15,13).
Mas nem todos os declarados e aclamados foram imediatamente aceitos pela Igreja. Em alguns casos levou tempo. Houve casos que esperaram 400 anos até serem proclamados e declarados santos, isto é: cristãos sancionados, provados e selados como sinais do Reino. Sanctus, santo, vem de sancire, sancionar. Deus e a Igreja assinariam em baixo desta vida!
Houve casos quase imediatos. Muitos mártires e Francisco de Assis, por exemplo, em menos de um ano foram canonizados. Entraram no cânone dos bem-aventurados que a Igreja aposta que estão salvos e no céu. Ultimamente, José Escrivá, o Fundador da Opus Dei, levou 27 anos. Dom Romero já leva mais de 40 anos em processo e, no entanto, ele morreu pela libertação do seu povo que morria sob uma cruel ditadura.
Tereza de Calcutá levou menos de dez, João XXIII menos de 50, João Paulo II menos de 7, Irmã Dulce menos de 15 anos após a morte. Em alguns casos, a Igreja ouviu a aclamação dos fiéis ou de um grupo de fiéis; em outros, não ouviu e até chegou a tirar da lista de proclamáveis e declaráveis algum candidato sobre quem se lançaram dúvidas pelo que teriam dito e escrito.
É critério da Igreja e não cabe a nenhum grupo querer impor o seu candidato ao reconhecimento de toda a Igreja. E daí? Seu candidato não foi declarado, o que não significa que não tenha levado vida santa. A Igreja não se opõe ao fato de seus fiéis admirarem algum católico que viveu vida heróica. Poderemos pedir a prece de nossos pais e de nossos irmãos de vida santa, desde que não o façamos contra a proposta da Igreja.
Dizer que alguém não será proclamado beato não é o mesmo que dizer que ele não se salvou, que não está no céu ou que sua vida não foi santa. Significa apenas que a Igreja não o proclamará modelo em tudo. Muitos dos santos que admiramos nem sempre escreveram ou disseram coisas hoje aceitas pelos católicos. Estão aí os livros para provar que a Igreja não concorda com eles em tudo. A Igreja mudou muitos conceitos e muitas de suas práticas e hoje, quem dissesse o que eles disseram ou fizesse o que eles fizeram não seria aprovado como modelo de ética cristã. Mas foram vistos como pessoas totalmente dedicadas ao Reino.
Como não há santo sem escorregão e nenhum santo é perfeito e sábio em tudo, a Igreja tem o direito de decidir quem deve ser venerado oficialmente e quem deve esperar. Haverá sempre algum questionamento, mas há que se respeitar a voz do povo e a voz da liderança. Somos produtos de um tempo e os santos viveram outras épocas e outras situações de conflito.
Os irmãos de outras igrejas que cultivem seus heróis do seu jeito. Respeitamos. Mas não nos acusem de adorar os santos! Esta calúnia não admitiremos. Só adoramos a Deus, mas nunca deixaremos de proclamar que ele é bendito pelos santos que nos deu. É bíblico, é teológico e nobre. Gratidão também é sinal de santidade!
Palavra de fé: “Porquanto, é esta a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos aparteis da luxúria, que cada qual saiba tratar sua própria esposa com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como os gentios, que não conhecem a Deus”. (1 Tessalonicenses 4,3)
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Calúnias de maio e de outubro
Pela enésima vez o repórter disse que no dia 12 de outubro os católicos adoram a santa. Faz quase 30 anos que eles, os repórteres, não se corrigem. Em maio ou outubro, quando os católicos veneram Maria, eles repetem a mesma ladainha. Dizem que adoramos a santa... Ou não pesquisam, ou não sabem, ou até é intencional. O erro é gravíssimo, pois soa como calúnia. Católico que é católico sabe a diferença entre adorar e venerar. Só adoramos ao Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. A ninguém mais. Ad-orare é palavra do latim formada por dois vocábulos que significam “orar para além do comum”. Adorar é mais do que orar. Por isso não adoramos os santos, porque a eles pedimos cumplicidade, intercessão e preces. Diante de Deus, fazemos mais do que orar: submetemo-nos à sua vontade. É prece de submissão.
Venerar é prestar tributo de admiração e respeito pelo que a pessoa é ou representa. Adoramos a Deus, mas apenas veneramos os seus santos, porque eles souberam servir a Deus e por Ele foram santificados. São pessoas especiais e salvas em Cristo, mas mesmo no céu são limitadas porque não viraram deuses. Atingiram a perfeição de pessoa humana, mas não a perfeição absoluta que, esta, só Deus possui.
Tenho pedido a meus amigos jornalistas que nos ajudem deixando de nos caluniar com vocábulo mal-empregado. Pode não significar nada para eles, mas para nós, faz toda a diferença. Não somos idólatras porque usamos as imagens. Nós não as adoramos, nem mesmo os santos por elas representados. Idolatria é o ato de adorar uma imagem que passa a ser um ídolo. Se não adoramos, é apenas imagem. Não vira ídolo.
Veneramos, respeitamos e elogiamos os santos que Deus fez, mas não adoramos santa nenhuma e nem imagem alguma. Católico que faz isso peca gravemente. Quando jornalistas que deveriam estar mais bem informados, ano após ano em outubro, noticiam que os católicos adoram a imagem da santa ou adoram a santa em Aparecida (SP) ou no Círio de Nazaré, em Belém (PA), e quando alguns pregadores de outras Igrejas insistem em dizer que adoramos os santos e suas imagens, das duas uma: ou querem que se pense mal de nós ou não querem transmitir a verdade. Está nos nossos livros, o povo sabe a diferença, católico algum com o mínimo grau de instrução dirá que adora Nossa Senhora, mas o noticiário das 8 ou o das 10 insistem em dizer que o povo fez fila para adorar a santa.
Sugiro aos católicos que, sempre que isso acontecer, encham de e-mails a emissora, até que seu Departamento de Jornalismo para de nos prejudicar. Nós sabemos a diferença entre venerar e adorar. Já é hora, depois de quase 30 anos, de eles também saberem. Afinal, vivem proclamando que estão a serviço da verdade! E a verdade é que não temos fila de adoração de santa nem de imagem de santos, nem adoramos crucifixos. Sabemos a diferença entre a cruz e o Crucificado. A Este, nós adoramos. Como a cruz não é de Deus, a ela, respeitamos e veneramos. É apenas um objeto, para nós muito especial, mas objeto. Que os católicos reajam. Como está, virou calúnias de maio e de outubro!
Palavra de fé: “Jesus disse-lhes: Está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e a Ele só servirás”. (Lucas 4, 8)
Venerar é prestar tributo de admiração e respeito pelo que a pessoa é ou representa. Adoramos a Deus, mas apenas veneramos os seus santos, porque eles souberam servir a Deus e por Ele foram santificados. São pessoas especiais e salvas em Cristo, mas mesmo no céu são limitadas porque não viraram deuses. Atingiram a perfeição de pessoa humana, mas não a perfeição absoluta que, esta, só Deus possui.
Tenho pedido a meus amigos jornalistas que nos ajudem deixando de nos caluniar com vocábulo mal-empregado. Pode não significar nada para eles, mas para nós, faz toda a diferença. Não somos idólatras porque usamos as imagens. Nós não as adoramos, nem mesmo os santos por elas representados. Idolatria é o ato de adorar uma imagem que passa a ser um ídolo. Se não adoramos, é apenas imagem. Não vira ídolo.
Veneramos, respeitamos e elogiamos os santos que Deus fez, mas não adoramos santa nenhuma e nem imagem alguma. Católico que faz isso peca gravemente. Quando jornalistas que deveriam estar mais bem informados, ano após ano em outubro, noticiam que os católicos adoram a imagem da santa ou adoram a santa em Aparecida (SP) ou no Círio de Nazaré, em Belém (PA), e quando alguns pregadores de outras Igrejas insistem em dizer que adoramos os santos e suas imagens, das duas uma: ou querem que se pense mal de nós ou não querem transmitir a verdade. Está nos nossos livros, o povo sabe a diferença, católico algum com o mínimo grau de instrução dirá que adora Nossa Senhora, mas o noticiário das 8 ou o das 10 insistem em dizer que o povo fez fila para adorar a santa.
Sugiro aos católicos que, sempre que isso acontecer, encham de e-mails a emissora, até que seu Departamento de Jornalismo para de nos prejudicar. Nós sabemos a diferença entre venerar e adorar. Já é hora, depois de quase 30 anos, de eles também saberem. Afinal, vivem proclamando que estão a serviço da verdade! E a verdade é que não temos fila de adoração de santa nem de imagem de santos, nem adoramos crucifixos. Sabemos a diferença entre a cruz e o Crucificado. A Este, nós adoramos. Como a cruz não é de Deus, a ela, respeitamos e veneramos. É apenas um objeto, para nós muito especial, mas objeto. Que os católicos reajam. Como está, virou calúnias de maio e de outubro!
Palavra de fé: “Jesus disse-lhes: Está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e a Ele só servirás”. (Lucas 4, 8)
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SCJ
segunda-feira, 21 de junho de 2010
O perigo dos holofotes
Até bem pouco tempo atrás, pouca gente ficava famosa com a música religiosa. Hoje muitos se tornaram grandes nomes por causa de suas canções ou de suas interpretações. Com a fama vem os holofotes e os agentes de publicidade a oferecer seus préstimos. Aí, o cantor católico precisará tomar cuidado. Não faltará quem o convide a aceitar tal e tal tipo de conduta para tal e tal resultado.
A consciência e a formação moral de cada um determinará se vai aceitar ou não o jogo do marketing do mundo ou vai achar o marketing da Igreja. Os holofotes são ótimos porque chamam a atenção para o cantor e o iluminam de modo especial. São perigosos porque com toda aquela luz na cara, ele acabará não vendo mais o povo que o escuta. Holofotes iluminam e destacam. Mas também cegam.
Eu costumo pedir que mostrem mais o povo e menos a mim. Quem já trabalhou comigo sabe que peço poucas luzes no palco. Quero as luzes jogadas sobre o povo.
A consciência e a formação moral de cada um determinará se vai aceitar ou não o jogo do marketing do mundo ou vai achar o marketing da Igreja. Os holofotes são ótimos porque chamam a atenção para o cantor e o iluminam de modo especial. São perigosos porque com toda aquela luz na cara, ele acabará não vendo mais o povo que o escuta. Holofotes iluminam e destacam. Mas também cegam.
Eu costumo pedir que mostrem mais o povo e menos a mim. Quem já trabalhou comigo sabe que peço poucas luzes no palco. Quero as luzes jogadas sobre o povo.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Se Jesus me aparecesse
Se Jesus um dia me aparecesse, não sei o que lhe diria.
Provavelmente como Pedro, naquela barca, eu pediria perdão pelos meus pecados. Imagino que depois de um encontro real com Jesus ninguém continuaria vaidoso ou exibido.
Pelo que vejo em todas as religiões, quem o encontrou superficialmente, gosta muito de exibir sua fé pretensiosamente missionária. Quem realmente o encontrou é acolhedor, humilde, fraterno e evita alarde.
Anuncia a aurora sem muito cocoricó.
Se Jesus um ia me aparecesse eu talvez não soubesse que atitude tomar. Não sei se sairia por aí contando a todo mundo que o vi. Pra começo de conversa, ninguém acreditaria. E eu não confiaria nos que aderissem logo de cara.
Os que acreditam facilmente em todos os videntes acabam mudando de vidente tão logo apareça alguém que diga que viu mais. Se Jesus me aparecesse eu provavelmente pediria que me ajudasse a crer e aumentasse minha fé.
Tomé errou antes, mas fez certo depois. Aceitou a lição de Jesus. Eu nunca pedi para Jesus me aparecer.
Primeiro, porque não mereço. Segundo, porque já tenho uma Bíblia. Ela tem me bastado para crer em Jesus. Se Ele não quiser acrescentar nada ao que disse ali já está bom para mim. Não sou cristão que precisa ver. Eu creio, mesmo sem ter visto ou sem ver.
Provavelmente como Pedro, naquela barca, eu pediria perdão pelos meus pecados. Imagino que depois de um encontro real com Jesus ninguém continuaria vaidoso ou exibido.
Pelo que vejo em todas as religiões, quem o encontrou superficialmente, gosta muito de exibir sua fé pretensiosamente missionária. Quem realmente o encontrou é acolhedor, humilde, fraterno e evita alarde.
Anuncia a aurora sem muito cocoricó.
Se Jesus um ia me aparecesse eu talvez não soubesse que atitude tomar. Não sei se sairia por aí contando a todo mundo que o vi. Pra começo de conversa, ninguém acreditaria. E eu não confiaria nos que aderissem logo de cara.
Os que acreditam facilmente em todos os videntes acabam mudando de vidente tão logo apareça alguém que diga que viu mais. Se Jesus me aparecesse eu provavelmente pediria que me ajudasse a crer e aumentasse minha fé.
Tomé errou antes, mas fez certo depois. Aceitou a lição de Jesus. Eu nunca pedi para Jesus me aparecer.
Primeiro, porque não mereço. Segundo, porque já tenho uma Bíblia. Ela tem me bastado para crer em Jesus. Se Ele não quiser acrescentar nada ao que disse ali já está bom para mim. Não sou cristão que precisa ver. Eu creio, mesmo sem ter visto ou sem ver.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Os limites de Maria
Li um trecho de Paulo no qual o apóstolo afirmava não termos outro intercessor neste mundo além de Jesus. (...) É por Ele, com Ele e nEle. (...) O assunto parou em Maria e alguém perguntou se era válido chamar Maria de dispensadora de todas as graças do céu. Não, não é.
Falei, então, dos limites de Maria e um zeloso defensor da ortodoxia ameaçou mandar meu nome para a Congregação para a Doutrina da Fé, substituta do Santo Ofício. Achou que eu estava pregando heresia ao diminuir o papel de Maria no plano da salvação. Para ele, Maria pode tudo com sua oração. Quando ela pede, Deus se inclina e concede... E eu discordei. O próprio Jesus pediu ao Pai que, se possível, afastasse o cálice de dor, e o Pai não afastou (...). Deus continua soberano. A decisão de atender ou não atender continua sendo dEle.
Determinadas afirmações sobre Maria definitivamente precisam ser explicadas. Podem confundir, e é esta uma das razões porque a nossa devoção a Maria encontra objeção em muitas outras igrejas irmãs. Há muita gente séria que não se opõe por se opor à devoção a Maria. É que detectam imprecisões que contrariam a Bíblia. Cabe a nós, católicos, esclarecer, e bem, o porquê de algumas expressões que usamos. Assim, as expressões “Medianeira de todas as graças”, “Onipotência Suplicante” e “Corredentora” precisam ser explicadas.
Aquele bispo que pedia às mães de família que imitassem Maria em tudo, ouviu de uma fiel na sacristia: “Sr. Bispo, se eu seguir o seu conselho, meu marido e eu nunca mais teremos filhos. Não se deve imitar Maria em tudo. O chamado dela para ser mãe e virgem foi especial. O meu é outro!”. E toca o bispo a explicar a sua frase...
Um colega meu afirmou numa conferência que todas as graças vinham do céu por meio de Jesus, mas passavam por Maria. Embananou-se quando um professor meticuloso quis saber onde estava isso na Bíblia ou na Tradição católica. Pelo que ele sabia, os textos bíblicos falam que tudo que nos vem pelo Filho e não pela mãe. E não está escrito que Jesus tem que pedir a Maria que nos entregue cada graça que Ele nos concede. Nem Maria quer este papel. Ela é a mãe de Deus, mas não é sei papel ficar distribuindo todas as graças que Deus deseja conceder ao mundo. Deus quis precisar de Maria para nos dar Jesus, mas não precisa dela a este ponto para governar o mundo. Nem Jesus. Ou cremos nisso ou acabaremos colocando Maria como Quarta pessoa da SS. Trindade, que ela não é. Ela é linda, e é, depois de Jesus, a cristã que mais sabe orar. De Jesus ela entende e ninguém está mais perto dele do que ela. É por isso que quem está perto de Maria nunca está longe de Jesus, mas quem ousa colocar Maria num plano igual ou mais alto que o do Filho que ela gerou, está longe dos dois. Errou de ênfase, ensina doutrina errada, virou herege! Maria não é toda poderosa. Só Deus é Todo Poderoso.
Não foi isso que aprendi da Santa Igreja Católica. Amar e exaltar Maria é uma coisa. Exagerar é outra. Humilde como ela é, não deseja um culto desses. Ela continua apontando para o Filho. Profetiza, ela diz: “Eu sou apenas seta. O caminho é Ele!”. A verdadeira Maria não contradiz a Bíblia! Maria tem limites!
Falei, então, dos limites de Maria e um zeloso defensor da ortodoxia ameaçou mandar meu nome para a Congregação para a Doutrina da Fé, substituta do Santo Ofício. Achou que eu estava pregando heresia ao diminuir o papel de Maria no plano da salvação. Para ele, Maria pode tudo com sua oração. Quando ela pede, Deus se inclina e concede... E eu discordei. O próprio Jesus pediu ao Pai que, se possível, afastasse o cálice de dor, e o Pai não afastou (...). Deus continua soberano. A decisão de atender ou não atender continua sendo dEle.
Determinadas afirmações sobre Maria definitivamente precisam ser explicadas. Podem confundir, e é esta uma das razões porque a nossa devoção a Maria encontra objeção em muitas outras igrejas irmãs. Há muita gente séria que não se opõe por se opor à devoção a Maria. É que detectam imprecisões que contrariam a Bíblia. Cabe a nós, católicos, esclarecer, e bem, o porquê de algumas expressões que usamos. Assim, as expressões “Medianeira de todas as graças”, “Onipotência Suplicante” e “Corredentora” precisam ser explicadas.
Aquele bispo que pedia às mães de família que imitassem Maria em tudo, ouviu de uma fiel na sacristia: “Sr. Bispo, se eu seguir o seu conselho, meu marido e eu nunca mais teremos filhos. Não se deve imitar Maria em tudo. O chamado dela para ser mãe e virgem foi especial. O meu é outro!”. E toca o bispo a explicar a sua frase...
Um colega meu afirmou numa conferência que todas as graças vinham do céu por meio de Jesus, mas passavam por Maria. Embananou-se quando um professor meticuloso quis saber onde estava isso na Bíblia ou na Tradição católica. Pelo que ele sabia, os textos bíblicos falam que tudo que nos vem pelo Filho e não pela mãe. E não está escrito que Jesus tem que pedir a Maria que nos entregue cada graça que Ele nos concede. Nem Maria quer este papel. Ela é a mãe de Deus, mas não é sei papel ficar distribuindo todas as graças que Deus deseja conceder ao mundo. Deus quis precisar de Maria para nos dar Jesus, mas não precisa dela a este ponto para governar o mundo. Nem Jesus. Ou cremos nisso ou acabaremos colocando Maria como Quarta pessoa da SS. Trindade, que ela não é. Ela é linda, e é, depois de Jesus, a cristã que mais sabe orar. De Jesus ela entende e ninguém está mais perto dele do que ela. É por isso que quem está perto de Maria nunca está longe de Jesus, mas quem ousa colocar Maria num plano igual ou mais alto que o do Filho que ela gerou, está longe dos dois. Errou de ênfase, ensina doutrina errada, virou herege! Maria não é toda poderosa. Só Deus é Todo Poderoso.
Não foi isso que aprendi da Santa Igreja Católica. Amar e exaltar Maria é uma coisa. Exagerar é outra. Humilde como ela é, não deseja um culto desses. Ela continua apontando para o Filho. Profetiza, ela diz: “Eu sou apenas seta. O caminho é Ele!”. A verdadeira Maria não contradiz a Bíblia! Maria tem limites!
terça-feira, 23 de março de 2010
Jesus não é um ídolo
Recebo cartas de todo o país. Entre elas, as de alguns que se dizem meus fãs e que sou seu ídolo. Que pena! Por mais branda que seja a palavra ídolo, é sempre errado colocar alguém no lugar de Deus. Ídolo é exatamente isso: um falso Deus. Uma imagem é só uma imagem, um símbolo, uma lembrança ou um sinal, até o momento em que é adorada. Então vira ídolo.
Estátuas e imagens não atrapalham em nada quando são tratadas como objetos de culto e não sujeitos do culto. Faca é coisa boa enquanto bem usada. Mal usada vira objeto perigoso, nas mãos de quem não sabe a diferença é arma. Nas mãos da cozinheira tranqüila é instrumento de trabalho. Estátuas e imagens nas mãos de cristãos inteligentes são apenas instrumentos de culto. Nas mãos de cristão mal evangelizado, se for católico, pode levar à idolatria ou ao culto errado das imagens que a Igreja condena; nas mãos de crente fanático vira objeto de calúnia porque ele passa a acusar quem não é de sua igreja de idólatras, só porque tais pessoas usam imagens. Ele se ofenderia se eu o chamasse de assassino só porque tem uma faca em casa. Se ter uma faca e usá-la direito não é pecado, ter uma imagem e usá-la direito também não é. Está lá na Bíblia deles e na nossa. Deus permite e manda fazer, desde que não sejam adoradas.
A palavra ídolo é mal usada por uns e outros. Espanta-me ver pessoas que chamam Jesus de seu ídolo. Atriz famosa, numa entrevista, interrogada sobre qual era seu ídolo respondeu que era Jesus. Enganou-se, Jesus não ocupa o lugar de Deus. Ele é Deus de verdade. Se Jesus for um simples homem, então católicos e evangélicos são idólatras, porque tanto uns como outros adoram Jesus. Seriam um idólatra acusando o outro. Se Jesus é Deus, então qualquer tributo prestado a ele é louvor verdadeiro. Para o cristão Jesus é Deus e não ídolo.
Da próxima vez que lhe perguntarem sobre seu ídolo, diga que é cristão e por isso não tem ídolos. Nem diga a uma pessoa que você a adora. Adoração, só Deus merece. Queira bem, curta, admire, encante-se, mas não adore nem pessoas e nem coisas. Guarde essa palavra para Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Cá entre nós católicos: católico evangelizado não adora nem santo, nem imagem. Ele venera e respeita. Só adora a Deus. Cá entre nós católicos: evangélico evangelizado não acusa levianamente os outros de idólatras... nem se acha verdadeiro adorador desprezando os outros como falsos adoradores. Ele respeita e acaba entendendo que tanto na igreja dele quanto na nossa há idólatras. Todo aquele que põe alguma coisa acima de Deus é idólatra. Quem julga os outros também é... Diga isso aos irmãos que o acusam de estar nas trevas e na idolatria. Há muitas maneiras de ser idólatra: uma delas é brincar de Deus e sairmos por aí julgando os outros e achando-o menos cristãos do que nós.
Revista: O mensageiro de Santo Antônio
Estátuas e imagens não atrapalham em nada quando são tratadas como objetos de culto e não sujeitos do culto. Faca é coisa boa enquanto bem usada. Mal usada vira objeto perigoso, nas mãos de quem não sabe a diferença é arma. Nas mãos da cozinheira tranqüila é instrumento de trabalho. Estátuas e imagens nas mãos de cristãos inteligentes são apenas instrumentos de culto. Nas mãos de cristão mal evangelizado, se for católico, pode levar à idolatria ou ao culto errado das imagens que a Igreja condena; nas mãos de crente fanático vira objeto de calúnia porque ele passa a acusar quem não é de sua igreja de idólatras, só porque tais pessoas usam imagens. Ele se ofenderia se eu o chamasse de assassino só porque tem uma faca em casa. Se ter uma faca e usá-la direito não é pecado, ter uma imagem e usá-la direito também não é. Está lá na Bíblia deles e na nossa. Deus permite e manda fazer, desde que não sejam adoradas.
A palavra ídolo é mal usada por uns e outros. Espanta-me ver pessoas que chamam Jesus de seu ídolo. Atriz famosa, numa entrevista, interrogada sobre qual era seu ídolo respondeu que era Jesus. Enganou-se, Jesus não ocupa o lugar de Deus. Ele é Deus de verdade. Se Jesus for um simples homem, então católicos e evangélicos são idólatras, porque tanto uns como outros adoram Jesus. Seriam um idólatra acusando o outro. Se Jesus é Deus, então qualquer tributo prestado a ele é louvor verdadeiro. Para o cristão Jesus é Deus e não ídolo.
Da próxima vez que lhe perguntarem sobre seu ídolo, diga que é cristão e por isso não tem ídolos. Nem diga a uma pessoa que você a adora. Adoração, só Deus merece. Queira bem, curta, admire, encante-se, mas não adore nem pessoas e nem coisas. Guarde essa palavra para Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Cá entre nós católicos: católico evangelizado não adora nem santo, nem imagem. Ele venera e respeita. Só adora a Deus. Cá entre nós católicos: evangélico evangelizado não acusa levianamente os outros de idólatras... nem se acha verdadeiro adorador desprezando os outros como falsos adoradores. Ele respeita e acaba entendendo que tanto na igreja dele quanto na nossa há idólatras. Todo aquele que põe alguma coisa acima de Deus é idólatra. Quem julga os outros também é... Diga isso aos irmãos que o acusam de estar nas trevas e na idolatria. Há muitas maneiras de ser idólatra: uma delas é brincar de Deus e sairmos por aí julgando os outros e achando-o menos cristãos do que nós.
Revista: O mensageiro de Santo Antônio
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