Após quase cinco décadas, os pacientes acometidos por lúpus poderão comemorar a chegada de nova medicação para tratar dessa enfermidade
Você já deve ter ouvido falar do lúpus. Michael Jackson, quando vivo, tornou público que era portador da doença, assim como Lady Gaga.
Trata-se da enfermidade crônica mais frequente nas mulheres em idade reprodutiva; é também doença dez vezes mais frequente no sexo feminino. A enfermidade parece ser provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo de agressões externas, como bactérias e vírus.
Dia 10 de maio, comemora-se o Dia Internacional de Atenção ao Portador do Lúpus Eritematoso Sistêmico. Acredita-se que perto de 10 milhões de pessoas no mundo tenham lúpus, 500 mil no Brasil.
O objetivo da data é aumentar e melhorar a atenção médica aos portadores dessa enfermidade e criar meios de financiar pesquisas para as causas e a cura da doença.
Quatro tipos de medicamentos são usados comumente para o tratamento do lúpus: anti-inflamatórios convencionais de natureza não hormonal, antimaláricos, derivados da cortisona e medicações que suprimem a resposta imunológica de forma abrangente.
Em casos mais severos, esses tratamentos tendem a não surtir resultados, e o curso da doença se torna progressivo, acometendo rins, coração, pulmões, elementos sanguíneos e sistema nervoso central, levando a deformidades articulares e provocando cirurgias de próteses dos quadris, o que pode também levar ao óbito.
Após quase cinco décadas, os pacientes acometidos por lúpus poderão comemorar a chegada de uma nova medicação para o tratamento dessa enfermidade. Esse medicamento pertence a uma nova classe, conhecida como biológicos, e tem um mecanismo de ação seletiva conhecido como terapia-alvo.
Por meio de administrações intermitentes, de forma periódica, o medicamento interfere nas células produtoras de anticorpos, no caso do lúpus, são autoanticorpos que agridem o próprio corpo humano.
No Brasil, vários centros participaram das pesquisas que levaram às novas descobertas, permitindo que pacientes brasileiros se beneficiassem com a nova medicação.
Já é possível um maior intercâmbio entre pacientes e familiares, por meio de associações de pacientes juridicamente constituídas ou por meio de redes sociais.
Novos estudos com imunobiológicos estão em andamento, tendo como centro coordenador o Hospital Roberto Abreu Sodré (AACD), especializado em doenças do sistema músculo-esquelético.
Os estudos tentam neutralizar a produção excessiva de autoanticorpos por outras vias. É por meio da participação cada vez maior do Brasil nos novos estudos que os pacientes brasileiros receberão os benefícios das novas descobertas de forma precoce. De fato, há muito para se comemorar nessa data.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Por um filho, por um Pai
Hoje quero te oferecer, Senhor, a minha alegria e gratidão por essa difícil missão de ser pai!
Foi uma responsabilidade que assumi iluminado por teu Santo Espírito, confiante de que cada filho que me entregaste era também uma benção sobre meu matrimônio, significava tua presença em nossa família e um chamado para amar mais.
Ser Pai!
Representa uma caminhada cheia de alegria, Senhor! Penso que até recebo mais do que dou e que a existência do meu filho foi mais uma forma que encontraste para eu compreender-te como Pai. Mas, nem sempre tem sido fácil, meu Deus, entregar-me por inteiro a esta causa a quem me chamaste.
O mundo lá fora é inclemente, os valores com os quais me deparo me confundem e o silêncio que faço para ouvir teus conselhos é tão pouco...
Por isso eu temo, Senhor, e venho neste momento pedir para que eu possa olhar nos olhos do meu filho e jamais encontrar a insegurança pela ausência da minha mão amiga.
Consultar seu álbum de recordações e me ver presente em seus momentos importantes.
Lembrar das dores do meu filho, das suas perdas e desilusões, e junto às marcas das suas lágrimas, reconhecer as minhas próprias, por termos chorado juntos.
Pedir ao meu filho que me fale sobre suas crenças e nelas enxergar humildade e fraternidade que minhas atitudes tenham despertado.
Verificar que entre as coisas que o incomodam, estão o egoísmo e a competição que dividem os homens que queres ver irmãos.
Propor que ele fale sobre o amor, e vê-lo buscando inspiração na tua bondade e misericórdia.
Perceber, enfim, Senhor, que a imagem que ele guarda de mim, é uma imagem de imenso amor, compreensão e paciência, semelhante a que guardo de ti no meu coração.
Se isto eu puder sentir, ao longo desta trajetória, terei certeza de que cumpri a tua vontade, através desta difícil e maravilhosa missão que me confiaste.
Assim seja, meu Pai!
Palavra de fé: “Educa o teu filho, esforça-te (por instruí-lo), para que não te desonre com sua vida vergonhosa”. (Eclesiástico 30,13)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Um santo completo
Eu descrevia a pessoa de Dom Luciano a três jovens da RCC (Renovação Carismática Católica) que tinham ouvido pouco a seu respeito. Terminei a exposição, e a jovem de 23 anos disse: “Então ele era um santo completo!”.
Acertou. Os santos buscam perfeição, mas sofrem com os seus defeitos, porque continuam pagando o preço desta ou daquela imperfeição ou falha que ainda carregam. A plenitude nunca vem. Não são santos pela metade, mas ficam sempre aquém do seu projeto. Mesmo assim, a Igreja oferece como modelo de discipulado em Cristo.
Há, porém, os santos mais completos. Dom Luciano Mendes de Almeida foi um deles. Quem o conheceu garante que ele viveu a santidade nos seus mais diversos aspectos. O mistério da graça se difundiu e ampliou nele de tal forma que Dom Luciano não era nem será um santo de ontem. É homem e bispo para todos os tempos. Dele se poderia dizer como se disse de Thomas Becket: homem para a eternidade. Voltado para o céu, como atestam suas falas, seus gestos e seus escritos, nunca tirou também o seu olhar do mundo, onde as pessoas sofriam e sofrem. Tinha discernimento e equilíbrio. Nenhum vento o levou para lugar nenhum a não ser o sopro do Espírito. Não era dado a modismos ou cristas da onda. Sua fala era profunda e centrada na Palavra de Deus. Catequista consciente, ele repercutia a Igreja, sempre, o tempo todo.
Culto, atualizado, sereno, pobre, simples, despojado, cabeça humildemente inclinada para a frente, como se a render homenagem a quem o procurava, era tudo menos um santo de cabeça torta. Nisso, ele era reto e altivo: na defesa dos pequenos. Mas não perdia a classe. Não poucas vezes, falei dele em minhas aulas de comunicação como um rio, antes uma catadupa de água viva. Não procurava palavras: elas vinham fluentes da sua mente de jesuíta brilhante que era. Ouvi-lo era uma delícia. Tinha embutido nele um dicionário, uma bíblia e os documentos da Igreja. Tudo fluía com elegância e humildade. Era só provocá-lo que estava lá. Sábio, humilde, santo, asceta e gentil, era também exigente e corajoso na defesa dos direitos humanos.
Seminaristas que procuram um exemplo de religioso, padre e bispo a seguir podem olhar para dom Luciano. Nós, católicos, que gostamos de lembrar os santos que Jesus formou, temos mais um para recordar. Não seria nada estranho imaginar daqui a alguns anos um são Luciano de São Paulo ou de Mariana, assim como hoje se fala de Antonio de Pádua ou Francisco de Assis. Aqueles eram completos, apesar dos seus pequenos limites. Dom Luciano, também.
Foi bom tê-lo entre nós. Será bom lembrá-lo sempre. Não passou e não vai passar exatamente, porque nunca falou de si mesmo e fugiu o quanto pôde das homenagens. Os aplausos eram para os outros. Ele os puxava. Quando eram para ele, baixava a cabeça. Este é o bispo que morreu em 27 de agosto passado. Que seja reverenciado! Agora, imagino que ele aceitará!
Palavra de fé: “Considerai, meus filhos, as gerações humanas: sabei que nenhum daqueles que confiavam no Senhor foi confundido”. (Eclesiástico 2,11)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Drogas na esquina
A maioria dos pais não tem idéia de como seus filhos entram em contato com as drogas. Eles gostam de pensar em traficantes perversos, verdadeiros lobos maus disfarçados de coelhinhos. Bobagem. A garotada experimenta sua primeira droga ilícita através dos coleguinhas de escola, com a turma nas baladas. Ou mesmo dentro da própria família. Nunca me esquecerei do depoimento de um pai em uma palestra que dei no interior de São Paulo. Quando afirmei que as drogas estão mais próximas do que se pensa, o homem se ergueu chorando:
— Meu filho faleceu de aids. Ele contraiu o vírus em seringas compartilhadas. Mais tarde descobri que o meu irmão, seu tio, foi quem o levou ao consumo.
Emudeci. A platéia ficou em silêncio. O que dizer diante do sofrimento daquele homem? Da curiosidade ao vício, o roteiro é conhecido. O adolescente falta às aulas. Fica trancado no quarto ou some com a galera. Pede grana extra. Finalmente, algo de valor desaparece da casa. E aí a família reage... demitindo a empregada! É sempre a primeira suspeita. Uma conhecida cuja filha chegou a ser internada lastimou-se:
— Ainda não entendo como não percebi. Ela mudou de comportamento, rebelava-se o tempo todo, sumia. E eu achava que era uma fase.
Para alguns adolescentes, o uso de drogas parece normal. Seus próprios pais as usam. Principalmente as consideradas leves, como a maconha. O pai do amiguinho muitas vezes oferece o primeiro cigarro ao garoto, como se fosse um ritual de iniciação ao mundo dos adultos. Já ouvi pais como esses argumentar:
— A maconha é menos perigosa que o cigarro.
Pode até ser, embora eu duvide. Nunca vi um fumante convencional se tornar uma pessoa lerda, com pensamentos vagos, como o usuário de maconha. E a maconha vem misturada, ninguém sabe com o quê. E também, se algo é menos perigoso, não significa que seja bom. Também ouço outro tipo de defesa:
— A bebida é muito pior que qualquer droga.
Concordo. O alcoólatra destrói a própria vida. Mas a maioria das pessoas bebe só socialmente. As drogas parecem produzir reações químicas em que a dependência é quase imediata. Mais que isso: drogas são proibidas. Para comprá-las é preciso dialogar com traficantes, entrar no submundo do crime. Quem deve no bar, no máximo ganha um esculacho do gerente. No caso das drogas, leva tiros.
Durante anos conheci um produtor de teatro, sério, competente. Há algum tempo soube que estava nas ruas após cair no crack. Muitas carreiras, inclusive artísticas, são destruídas. A pessoa começa a faltar ao trabalho, a não cumprir compromissos. Torna-se impossível trabalhar com ela. No caso de famosos, a situação é abafada até o possível. Algumas vezes vem à tona, como no caso do cantor que engoliu pilhas.
É óbvio, o viciado começou de algum jeito. Eu garanto: sempre com alguém muito próximo apresentando o primeiro cigarrinho, a dose inicial. Pessoalmente, acho a política de controle das drogas um desastre. A proibição por si só levou ao aumento do poder dos traficantes. Mas adolescentes e jovens continuam mais expostos do que nunca. A estratégia um dia terá de ser repensada. Mas quem sou eu para oferecer uma solução para esse mundo de traficantes e usuários?
Uma coisa eu sei: a educação começa em casa. Pais carinhosos conseguem estabelecer uma relação de amor e confiança com os filhos. E saber o que está acontecendo. Talvez seja impossível resolver a questão da droga no planeta. Mas é dentro de casa que se dá o primeiro passo.
Palavra de fé: “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio atífice de vossa perda”. (Sabedoria 1,12)
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Direitos e Deveres
A psicóloga Lídia Aratangy, autora do livro Pais Que Educam Filhos Que Educam Pais, responde a seis perguntas comuns entre pais com filhos adolescentes.
Como o pai deve estabelecer limites?
Não tente ser mais liberal do que sua emoção agüenta, só para parecer moderno, nem mais restritivo do que sai convicção diz, só para parecer poderoso. Uma boa discussão com um adolescente ajuda a ter mais clareza dessas balizas. Mas lembre-se: discussão é uma via de mão dupla, ambos os interlocutores tem o direito de ser fazer entender.
Há pais que fumam maconha com os filhos. Isso é saudável?
Pai é pai, filho é filho e amigo é amigo. Às vezes há uma certa sobreposição do papel do pai e o do amigo. O pai que resolver ser o melhor amigo do filho vai deixar o filho sem pai e sem melhor amigo.
Como agir com um filho que não cumpre com as obrigações?
Tem de ter conseqüências diretas e verdadeiras. Se o jovem perde aulas porque fica dormindo em vez de ir à escola, tem de estar sujeito às sanções da escola. Mas dificilmente os pais têm coragem de deixar o filho enfrentar o resultado das escolhas malfeitas. Em geral, preferem procurar uma escola mais fraca para o filho que tirou notas baixas porque foi para a balada em vez de estudar para a prova.
O consumo de álcool pelos adolescentes deve ser tolerado?
Esse consumo é nefasto. O pior é que vem aumentando, porque os pais são mais benevolentes com os porres do que com o uso de maconha. Usada com moderação, a bebida pode dar sabor a uma refeição ou fazer parte de uma comemoração Mas só dentro de certos limites ela faz bem.
Até onde devem ir os limites?
Até onde os filhos puderem arcar com os resultados de suas escolhas. Engravidar a namorada tem conseqüências. Ele pode arcar com eles sem ajuda dos pais? Não. Então essa liberdade ele não deve ter. Quer pintar o cabelo de verde e responde pelas conseqüências? Sim. Então, que pinte. Não se pode dar a mesma importância a tudo.
Dormir com a (o) namorada (o) na casa dos pais deve ser permitido?
Se essa situação for vivida com naturalidade por todos os envolvidos, tudo bem. Mas, muitas vezes, os pais não se sentem à vontade com a presença de um estranho no quarto ao lado. Ou preferem não ter de encontrar, no café da manhã, alguém com quem não tem intimidade. Cada família deve ter clareza dos limites do confortável.
Palavra de fé: “Pois Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles”. (Eclesiástico 3,3)
Como o pai deve estabelecer limites?
Não tente ser mais liberal do que sua emoção agüenta, só para parecer moderno, nem mais restritivo do que sai convicção diz, só para parecer poderoso. Uma boa discussão com um adolescente ajuda a ter mais clareza dessas balizas. Mas lembre-se: discussão é uma via de mão dupla, ambos os interlocutores tem o direito de ser fazer entender.
Há pais que fumam maconha com os filhos. Isso é saudável?
Pai é pai, filho é filho e amigo é amigo. Às vezes há uma certa sobreposição do papel do pai e o do amigo. O pai que resolver ser o melhor amigo do filho vai deixar o filho sem pai e sem melhor amigo.
Como agir com um filho que não cumpre com as obrigações?
Tem de ter conseqüências diretas e verdadeiras. Se o jovem perde aulas porque fica dormindo em vez de ir à escola, tem de estar sujeito às sanções da escola. Mas dificilmente os pais têm coragem de deixar o filho enfrentar o resultado das escolhas malfeitas. Em geral, preferem procurar uma escola mais fraca para o filho que tirou notas baixas porque foi para a balada em vez de estudar para a prova.
O consumo de álcool pelos adolescentes deve ser tolerado?
Esse consumo é nefasto. O pior é que vem aumentando, porque os pais são mais benevolentes com os porres do que com o uso de maconha. Usada com moderação, a bebida pode dar sabor a uma refeição ou fazer parte de uma comemoração Mas só dentro de certos limites ela faz bem.
Até onde devem ir os limites?
Até onde os filhos puderem arcar com os resultados de suas escolhas. Engravidar a namorada tem conseqüências. Ele pode arcar com eles sem ajuda dos pais? Não. Então essa liberdade ele não deve ter. Quer pintar o cabelo de verde e responde pelas conseqüências? Sim. Então, que pinte. Não se pode dar a mesma importância a tudo.
Dormir com a (o) namorada (o) na casa dos pais deve ser permitido?
Se essa situação for vivida com naturalidade por todos os envolvidos, tudo bem. Mas, muitas vezes, os pais não se sentem à vontade com a presença de um estranho no quarto ao lado. Ou preferem não ter de encontrar, no café da manhã, alguém com quem não tem intimidade. Cada família deve ter clareza dos limites do confortável.
Palavra de fé: “Pois Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles”. (Eclesiástico 3,3)
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
O catequista é ser de relações
Quando fomos chamados a sermos catequistas, tivemos o desejo de aprender e assumir com amor às exigências desse ministério.
É uma graça de Deus que este amor tenha crescido, com o correr dos anos na vivência desse ministério.
Para que isso aconteça, é necessário que o catequista busque cada vez mais uma compreensão de si mesmo para que se torne descontraído, sereno, aberto aos sinais de Deus na sua vida.
É importante que o catequista esteja em paz e harmonia permanente consigo mesmo para que tenha paz no relacionamento com os catequizandos.
Há dois pontos que dificultam o catequista a viver em harmonia: os conflitos e o trabalho cotidiano.
Não precisamos de muito esforço para perceber, que, nos dias de hoje, todos nós nos encontramos frequentemente em meio a uma complexa dinâmica de demandas e conflitos.
Vivemos em tensão, quase divididos entre nossos gostos e deveres e, contudo, somos chamados a ter relacionamento com a família, a comunidade e com os catequizandos.
Além disso, o anúncio do evangelho exige fidelidade, pelo menos a dois pontos:
1. Ao conteúdo anunciado;
2. Ao caminho pelo qual se faz esse anúncio.
O conteúdo é Jesus Cristo, morto e ressuscitado para a nossa salvação.
O caminho é conseqüência do conteúdo: se Jesus Cristo se fez homem, criatura igual a nós, exceto no pecado, o caminho para anunciar o mesmo Jesus deverá ser feito em consonância com as alegrias e dores de quem ouve o anúncio.
Daí a importância de se conhecer o jeito com que os catequizandos compreendem a vida, lidam com ela e reagem de quem ouve o anúncio.
Em nossos dias, esse compreender, além de ser importante, adquire o caráter de urgência, pois, poderemos estar transmitindo um conteúdo doutrinamente correto, mas falho enquanto ação evangelizadora: ele poderá chegar à mente, não, porém ao coração e à vida dos interlocutores.
Essa é a razão para compreendermos os desafios do nosso tempo, desafio que estamos vivendo.
Se buscarmos uma característica para o mundo de hoje, encontramos as palavras confusão, perplexidade, transformação, incerteza. Isso tudo porque estamos vivendo uma mudança de época, e não simplesmente uma época de mudanças.
Época de mudança: caracteriza-se quando as transformações acontecem em determinados aspectos da vida, permanecendo intactos os critérios de julgamento e os valores humanos mais profundos. Refere-se ao VER a realidade, dentro dos critérios ver, julgar e agir.
Mudança de época: caracteriza-se quando as transformações não só acontecem em determinados aspectos da vida, como também atingem os critérios de julgamentos. Refere-se ao JULGAR dentro do método ver, julgar e agir.
Assim, a atual mudança de época coloca alguns valores de nossa vida em baixa e, outros, em alta.
Em baixa estão as instituições, quaisquer que sejam. Tudo o que seja institucional é visto com reserva: entre elas a família, o estado e a escola. Em alta está o indivíduo: ele se torna absoluto em suas escolhas e opções.
Isso tem conseqüência na catequese: quando negamos a liceidade das relações pré-matrimoniais, logo ouvimos: quem é o papa para mandar em minha vida? Ou a Igreja está desatualizada.
Assim, estão em baixa a tradição: transmissão de valores de uma geração para outra; o sonho, a utopia, a renúncia, o eterno, o definitivo, a ética e o racional.
Estão em alta: o sensível, o que está ao alcance das mãos, o prazer imediato, o transitório, o eterno enquanto dura, o movimento, a estética, a emotividade.
Não se trata tanto de questionar motivos ou caminhos, mas predomina a alegria do resultado e a emoção experimentada.
Por outro lado, a realidade não é só preta ou branca, mas o cotidiano é mais cinza, as coisas acontecem misturadas e o discernimento nem sempre é fácil.
É bom destacar também que não se trata de rejeição de um dos pólos, mas de supervalorização de um e redução de importância do outro. Há gente lutando pela família, pela educação mais humana e solidária.
Em termos de evangelização, não se pode afirmar que uma época seja melhor que a outra. Elas são diferentes, exigindo de nós assumirmos a mudança, reconhecer que estamos num ambiente distinto daquele ao qual estávamos acostumados.
Para nós, catequistas, há dois perigos diante dessa nova situação:
1. o não reconhecimento da mudança, achando que o novo é questão de mau comportamento ou ignorância religiosa;
2. mergulhar de tal modo na nova realidade que já não se consiga fazer o discernimento entre o que é evangélico e o que não é.
O discernimento é o caminho para essas duas situações.
Para nos ajudar a refletir sobre isso, respondamos as seguintes perguntas:
- Para que atividade ou pastoral estou sempre disponível? Por quê?
- Para que atividade ou pastoral eu nunca tenho tempo? Por quê?
- Para que tipo de pessoas está sempre pronto? Por quê?
- De que modo o cansaço, a preocupação, a defesa de meus interesses transparecem no meu relacionamento com as pessoas?
- Quais conflitos vivo com mais freqüência?
- Quais tensões me perturbam?
- Como posso me ajudar a vencer esses conflitos e tensões?
Para rezar: “Salmo 129, 2-8” (Bíblia Ave-Maria) e “Marcos 9, 33-50”.
Palavra de fé: “A oração do pobre eleva-se de sua boca até os ouvidos de Deus, e Deus se apressará em lhe fazer justiça”. (Eclesiástico 21,6)
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Em que os pais são melhores que as mães
É surpreendente, mas só nos anos 70 os pesquisadores começaram a esmiuçar o papel dos homens na educação dos filhos. Descobriu-se que eles servem para muita coisa.
Pais julgam seus filhos mais capazes do que fazem as mães. Por isso eles “pegam menos no pé”. Além disso, suas brincadeiras são orientadas pela ação e trazem mais riscos. Por exemplo, empurram o balanço mais alto do que as cautelosas mulheres. Vantagem: o papai fortalece a autoconfiança e promove o desembaraço corporal.
Os pais conseguem aprofundar-se na fantasia das brincadeiras infantis. São os homens que aparecem com as idéias mais malucas, organizam corridas em caixas de papelão ou fins de semana de aventura. Vantagem: estímulo à criatividade infantil.
A diferença entre os sexos é mais importante para os homens. Com as filhas eles se relacionam mais suavemente do que com os filhos. O tratamento diferenciado fortalece a identificação da criança com o próprio sexo.
O menino precisa de uma contrapartida para acachapante presença feminina no mundo infantil, que está em casa, com a mãe, a babá e a empregada; no jardim de infância, com a recreadora; na escola, com a professora. Para a menina, o pai é o primeiro homem de sua vida. Mais tarde, as filhas costumam buscar parceiros que lembrem a imagem de seu pai.
Palavra de fé: “Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração”. (Eclesiástico 3,6)
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