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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
O catequista é ser de relações
Quando fomos chamados a sermos catequistas, tivemos o desejo de aprender e assumir com amor às exigências desse ministério.
É uma graça de Deus que este amor tenha crescido, com o correr dos anos na vivência desse ministério.
Para que isso aconteça, é necessário que o catequista busque cada vez mais uma compreensão de si mesmo para que se torne descontraído, sereno, aberto aos sinais de Deus na sua vida.
É importante que o catequista esteja em paz e harmonia permanente consigo mesmo para que tenha paz no relacionamento com os catequizandos.
Há dois pontos que dificultam o catequista a viver em harmonia: os conflitos e o trabalho cotidiano.
Não precisamos de muito esforço para perceber, que, nos dias de hoje, todos nós nos encontramos frequentemente em meio a uma complexa dinâmica de demandas e conflitos.
Vivemos em tensão, quase divididos entre nossos gostos e deveres e, contudo, somos chamados a ter relacionamento com a família, a comunidade e com os catequizandos.
Além disso, o anúncio do evangelho exige fidelidade, pelo menos a dois pontos:
1. Ao conteúdo anunciado;
2. Ao caminho pelo qual se faz esse anúncio.
O conteúdo é Jesus Cristo, morto e ressuscitado para a nossa salvação.
O caminho é conseqüência do conteúdo: se Jesus Cristo se fez homem, criatura igual a nós, exceto no pecado, o caminho para anunciar o mesmo Jesus deverá ser feito em consonância com as alegrias e dores de quem ouve o anúncio.
Daí a importância de se conhecer o jeito com que os catequizandos compreendem a vida, lidam com ela e reagem de quem ouve o anúncio.
Em nossos dias, esse compreender, além de ser importante, adquire o caráter de urgência, pois, poderemos estar transmitindo um conteúdo doutrinamente correto, mas falho enquanto ação evangelizadora: ele poderá chegar à mente, não, porém ao coração e à vida dos interlocutores.
Essa é a razão para compreendermos os desafios do nosso tempo, desafio que estamos vivendo.
Se buscarmos uma característica para o mundo de hoje, encontramos as palavras confusão, perplexidade, transformação, incerteza. Isso tudo porque estamos vivendo uma mudança de época, e não simplesmente uma época de mudanças.
Época de mudança: caracteriza-se quando as transformações acontecem em determinados aspectos da vida, permanecendo intactos os critérios de julgamento e os valores humanos mais profundos. Refere-se ao VER a realidade, dentro dos critérios ver, julgar e agir.
Mudança de época: caracteriza-se quando as transformações não só acontecem em determinados aspectos da vida, como também atingem os critérios de julgamentos. Refere-se ao JULGAR dentro do método ver, julgar e agir.
Assim, a atual mudança de época coloca alguns valores de nossa vida em baixa e, outros, em alta.
Em baixa estão as instituições, quaisquer que sejam. Tudo o que seja institucional é visto com reserva: entre elas a família, o estado e a escola. Em alta está o indivíduo: ele se torna absoluto em suas escolhas e opções.
Isso tem conseqüência na catequese: quando negamos a liceidade das relações pré-matrimoniais, logo ouvimos: quem é o papa para mandar em minha vida? Ou a Igreja está desatualizada.
Assim, estão em baixa a tradição: transmissão de valores de uma geração para outra; o sonho, a utopia, a renúncia, o eterno, o definitivo, a ética e o racional.
Estão em alta: o sensível, o que está ao alcance das mãos, o prazer imediato, o transitório, o eterno enquanto dura, o movimento, a estética, a emotividade.
Não se trata tanto de questionar motivos ou caminhos, mas predomina a alegria do resultado e a emoção experimentada.
Por outro lado, a realidade não é só preta ou branca, mas o cotidiano é mais cinza, as coisas acontecem misturadas e o discernimento nem sempre é fácil.
É bom destacar também que não se trata de rejeição de um dos pólos, mas de supervalorização de um e redução de importância do outro. Há gente lutando pela família, pela educação mais humana e solidária.
Em termos de evangelização, não se pode afirmar que uma época seja melhor que a outra. Elas são diferentes, exigindo de nós assumirmos a mudança, reconhecer que estamos num ambiente distinto daquele ao qual estávamos acostumados.
Para nós, catequistas, há dois perigos diante dessa nova situação:
1. o não reconhecimento da mudança, achando que o novo é questão de mau comportamento ou ignorância religiosa;
2. mergulhar de tal modo na nova realidade que já não se consiga fazer o discernimento entre o que é evangélico e o que não é.
O discernimento é o caminho para essas duas situações.
Para nos ajudar a refletir sobre isso, respondamos as seguintes perguntas:
- Para que atividade ou pastoral estou sempre disponível? Por quê?
- Para que atividade ou pastoral eu nunca tenho tempo? Por quê?
- Para que tipo de pessoas está sempre pronto? Por quê?
- De que modo o cansaço, a preocupação, a defesa de meus interesses transparecem no meu relacionamento com as pessoas?
- Quais conflitos vivo com mais freqüência?
- Quais tensões me perturbam?
- Como posso me ajudar a vencer esses conflitos e tensões?
Para rezar: “Salmo 129, 2-8” (Bíblia Ave-Maria) e “Marcos 9, 33-50”.
Palavra de fé: “A oração do pobre eleva-se de sua boca até os ouvidos de Deus, e Deus se apressará em lhe fazer justiça”. (Eclesiástico 21,6)
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Catequese 2: A Palavra e o Catequista
A Palavra de Deus tem uma primazia insubstituível na vida da Igreja e no discipulado cristão; é a fonte primordial de sua identidade. No contato assíduo permanente com ela, o catequista confronta sua vida e vai se descobrindo como filho de Deus e irmãos dos outros. É o que nos disse a própria escritura: “Salmo 118, 5-6”, da Bíblia Ave-Maria.
A proximidade e o relacionamento com a Palavra de Deus provocam no catequista as mesmas atitudes e sentimentos de Jesus Cristo: “Filipenses 2,5”; escuta, disponibilidade, compaixão e humildade. Ela o torna autêntico discípulo do mestre.
A Palavra inspirada convida a viver uma atitude contemplativa na história, nos sinais da presença de Jesus, nos sacramentos e na vida das pessoas, especialmente nos pobres: “Mateus 25,31-46”. Ela se faz presente na dimensão celebrativa que o discípulo realiza em comunidade e o conduz a um compromisso transformador e de presença no mundo.
Isto nos leva a assumir a Palavra como critério de leitura e de interpretação da realidade, onde os conflitos e as contradições, a problemática e os desafios exigem do catequista uma atitude de sabedoria para descobrir o projeto de Deus. Olhar a realidade à luz da palavra é um imperativo que brota do seguimento de Jesus.
A Igreja anuncia a Palavra de Deus, e esta se converte em resposta de fé para quem a acolhe. Por isso a Palavra de Deus estimula o catequista não só a ser ele mesmo, mas a formar discípulos e discípulas, conforme o entrar: “Mateus 28,20”.
“Assim, a Igreja não vive de si mesma, mas do evangelho, pelo evangelho e do evangelho tira sem cessar a luz para seu caminho. Por isso, só quem se coloca primeiro à escuta da Palavra é que pode depois torna-se seu anunciador”, afirma Bento XVI.
Jesus Catequista
Geralmente, quando falamos de Jesus, não costumamos ver Nele o discípulo, o formando, mas só o mestre e formador: “Hebreus 4,15”.
Viveu o mesmo processo de aprendizagem próprio de todo o ser humano. Ele, Jesus, antes de ser mestre foi discípulo como todo mundo: “Lucas 2,52”. E mesmo depois, ao longo de três anos de sua vida pública, como formador, ele ia aprendendo no contato com o povo, com os discípulos e com os fatos da vida.
Jesus ensinou dialogando, e dialogando também aprendia: conversando com a samaritana ele teve que aprendes das respostas que recebia dela, como entrar em contato com ela: “João 4, 7-26”. Como a cananéia, cuja filha estava doente, Jesus aprendeu a conhecer melhor a vontade do Pai e que sua missão não era só para os judeus.
Jesus também ensinava através de parábolas, dialogando com o povo. Geralmente, não as explicava, o que provocava as pessoas a pensar e a conversar. É uma forma participativa de ensinar, de educar. Não faz saber, mas faz descobrir, refletir sobre a própria experiência e faz com que essa experiência a leve a descobrir que Deus está presente na vida. É importante para o catequizando saber e experimentar que o catequista acredita neles e na sua capacidade de assimilar e compreender as coisas.
Para pensar e rezar:
O que é a Bíblia para mim?
Com que sentimento leio a Palavra para mim e para os catequizando?
Na catequese uso a Palavra? Como?
Ajudo o catequizando a gostar da Palavra?
A leitura da Palavra é para mim fonte de consciência crítica da realidade?
Ajudo os catequizandos a acolher e reintegrar os colegas excluídos?
Palavra de fé: “Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação”. (Sabedoria 1,14)
A proximidade e o relacionamento com a Palavra de Deus provocam no catequista as mesmas atitudes e sentimentos de Jesus Cristo: “Filipenses 2,5”; escuta, disponibilidade, compaixão e humildade. Ela o torna autêntico discípulo do mestre.
A Palavra inspirada convida a viver uma atitude contemplativa na história, nos sinais da presença de Jesus, nos sacramentos e na vida das pessoas, especialmente nos pobres: “Mateus 25,31-46”. Ela se faz presente na dimensão celebrativa que o discípulo realiza em comunidade e o conduz a um compromisso transformador e de presença no mundo.
Isto nos leva a assumir a Palavra como critério de leitura e de interpretação da realidade, onde os conflitos e as contradições, a problemática e os desafios exigem do catequista uma atitude de sabedoria para descobrir o projeto de Deus. Olhar a realidade à luz da palavra é um imperativo que brota do seguimento de Jesus.
A Igreja anuncia a Palavra de Deus, e esta se converte em resposta de fé para quem a acolhe. Por isso a Palavra de Deus estimula o catequista não só a ser ele mesmo, mas a formar discípulos e discípulas, conforme o entrar: “Mateus 28,20”.
“Assim, a Igreja não vive de si mesma, mas do evangelho, pelo evangelho e do evangelho tira sem cessar a luz para seu caminho. Por isso, só quem se coloca primeiro à escuta da Palavra é que pode depois torna-se seu anunciador”, afirma Bento XVI.
Jesus Catequista
Geralmente, quando falamos de Jesus, não costumamos ver Nele o discípulo, o formando, mas só o mestre e formador: “Hebreus 4,15”.
Viveu o mesmo processo de aprendizagem próprio de todo o ser humano. Ele, Jesus, antes de ser mestre foi discípulo como todo mundo: “Lucas 2,52”. E mesmo depois, ao longo de três anos de sua vida pública, como formador, ele ia aprendendo no contato com o povo, com os discípulos e com os fatos da vida.
Jesus ensinou dialogando, e dialogando também aprendia: conversando com a samaritana ele teve que aprendes das respostas que recebia dela, como entrar em contato com ela: “João 4, 7-26”. Como a cananéia, cuja filha estava doente, Jesus aprendeu a conhecer melhor a vontade do Pai e que sua missão não era só para os judeus.
Jesus também ensinava através de parábolas, dialogando com o povo. Geralmente, não as explicava, o que provocava as pessoas a pensar e a conversar. É uma forma participativa de ensinar, de educar. Não faz saber, mas faz descobrir, refletir sobre a própria experiência e faz com que essa experiência a leve a descobrir que Deus está presente na vida. É importante para o catequizando saber e experimentar que o catequista acredita neles e na sua capacidade de assimilar e compreender as coisas.
Para pensar e rezar:
O que é a Bíblia para mim?
Com que sentimento leio a Palavra para mim e para os catequizando?
Na catequese uso a Palavra? Como?
Ajudo o catequizando a gostar da Palavra?
A leitura da Palavra é para mim fonte de consciência crítica da realidade?
Ajudo os catequizandos a acolher e reintegrar os colegas excluídos?
Palavra de fé: “Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação”. (Sabedoria 1,14)
terça-feira, 21 de junho de 2011
Jesus Cristo é o centro da nossa vida
Cristo é superior aos anjos: “Hebreus 1, 1-2”.
Hoje o mesmo Deus continua a nos falar por Jesus Cristo e também de muitas maneiras: no silêncio, no retiro, no sofrimento, na tristeza, na perseguição, na noite escura do espírito que nos faz gritar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.
Paulo insiste que em meio às tribulações nossa resposta será norteada pelo amor: “1 Coríntios 4, 12-13”. Nas horas escuras é só a oração que nos sustenta e nos faz perseverar. Jesus rezou do alto da cruz: “Lucas 23, 46”.
Outra maneira de Deus nos falar é ouvir o próximo, dar ouvido ao clamor do povo, ir ao encontro dos que choram e se debatem na extrema miséria, do que é oprimido, explorado, expulso de sua terra, desrespeitado nos seus direitos, do detento na prisão. Tudo isso nos faz rezar, nos faz encontrar o Senhor.
O Papa Bento XVI – encíclica “Deus cáritas est” afirma: “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social – que se poderia deixar a outros, mas pertence à sua natureza. É expressão irrenunciável da sua própria essência”.
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora apresentam a Palavra, os Sacramentos e a Caridade como fontes de vida da Igreja. Destacam que a caridade é o “centro da vida cristã”. Aqui se encontra o distintivo dos cristãos, nas palavras do próprio Cristo: “João 15, 9-13”.
Por isso, a Conferência de Aparecida assumiu com força nova a opção pelos pobres, Dap. 399. Nunca podemos tapar os nossos ouvidos diante do clamor ao próximo. É Deus que nos fala através do oprimido. O fundamento de tudo isso é Jesus Cristo, que é o centro de nossa vida.
Todos e construtores, de nós mesmos, da sociedade, da Igreja, o importante é construirmos sobre a rocha como recomenda Jesus: “Mateus 7, 24-25”. Construir sobre a rocha é fixar a mente em Jesus Cristo: “Hebreus 3,1”. Fixar é aderir, firmar, assimilar. Essa é a nossa meta, a finalidade da nossa vida. Este retiro é uma oportunidade para isso. Vejam a pregação de João Batista: “Marcos 1, 1-5”, convidando o povo a acolher, aderir, firmar-se em Jesus Cristo. Preparem o caminho, endireitem suas estradas.
Ele vem. Ele traz o perdão, conversão, vida e nos faz renascer. Ele é a razão de estarmos aqui. Para isso é necessário o encontro que transforma e que converte. É como o homem que encontra o seu tesouro: “Mateus 13, 44-46”.
Para isso é necessário em primeiro lugar o encontro: “Marcos 1, 16-20”. Jesus vê Simão e André lançando redes. Foi para isso que Jesus os chamava para lançar as redes, ser missionários. Qual a condição? Deixarem à barca e a rede, o que possuíam.
João e Tiago estão consertando as redes. Elas se rompem com os atritos. Assim também é a nossa vida... é necessário reatarmos os laços com Jesus Cristo. Mas não podemos parar por aí, só consertando as redes a vida inteira. Hoje, esse é o grande perigo: uma religião somente de sentimentos e devocionismo.
Jesus Cristo é a manifestação plena do amor radical que se entrega, não somente pelos justos, mas, também, pelos pecadores: “Romanos 5,8”.
Seu desejo de salvação não é somente aguardar os que o buscam. Jesus é incessante e eterna entrega, de si mesmo para o outro. É o convite contínuo para todos nós, e por meio de nós a toda a humanidade, para segui-lo em meio às diferenças e desencontros.
Consequentemente, as atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do catequista.
Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que em Jesus Cristo, é meu irmão e minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta. É o reconhecimento que o outro é diferente de mim e esta diferença nos distingue, mas não nos afasta.
As diferenças nos atraem e nos complementam, convidando-nos ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha, ao intercâmbio de vida e solidariedade. Fechar-se no isolamento, no individualismo e em atitudes que transformam pessoas em mercadorias, é cair no pecado da idolatria e semear infelicidade. A vida só se ganha na entrega, na doação. Preservar-se é, em Jesus Cristo, auto entregar-se: “Mateus 10,38”.
Todo relacionamento é igualmente chamado a acontecer na gratuidade. A semelhança de Cristo que, saindo de si, foi ao encontro dos outros, nada esperando em troca: “Filipenses 2,5”. O catequista é chamado a questionar um mundo que se constrói a partir da mentalidade do lucro e do mercado, atitudes que geram violência, vingança, guerra e destruição: “Mateus 6, 24-25”.
Gratuidade significa amar em Jesus Cristo, o irmão e a irmã, respondendo através de atitudes fraternas e solidárias, a grande questão proposta a Jesus: “Lucas 10,29”. Significa cortar a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração, do pensar em si mesmo buscando sempre a retribuição e interesse próprio.
Gratuidade e alteridade, como expressões de amor, são fontes de paz, reconciliação, de perdão, que é o ápice da nova Lei. Ela leva a amar o inimigo, o que não é pactuar com a impunidade, corrupção e com todas as formas de desrespeito aos direitos básicos de toda a pessoa.
A gratuidade e alteridade levam o catequista a angustiar-se diante da inércia, da omissão dos responsáveis em tomar atitudes que superem o mal existente. Isto, porém, não impede o catequista do ideal do perdão e da reconciliação.
Gratuidade e alteridade são os modos de compreender o que há de mais decisivo em Jesus Cristo: a saída de si, rumo à humanidade marcada pelo pecado, fonte de dor e morte.
É por aí que Jesus Cristo vai se tornando centro da nossa vida. É por aí que se tem experiência de Deus, o encontro com o Senhor.
Biblicamente o profeta experimentava Deus, quando, olhando a realidade dura, sentia um apelo de Deus na Palavra, e respondia a esse apelo com gesto de amor em prol da vida.
É, pois, motivado pela atitude constante de ida ao encontro do outro que o catequista contempla a realidade, não desejando que ela se encaixe em suas expectativas, mas encarnando-se na realidade, ele discerne as exigências do Reino de Deus e trabalha para que esse Reino cresça cada vez mais.
Jesus nos amor até o fim. Por isso, a fidelidade do catequista é uma das maiores provas do seu amor ao mestre.
Palavra de fé: “Meu filho, ouve-me, adquire uma instrução sadia, torna o teu coração atento às minhas palavras”. (Eclesiástico 16,24)
Hoje o mesmo Deus continua a nos falar por Jesus Cristo e também de muitas maneiras: no silêncio, no retiro, no sofrimento, na tristeza, na perseguição, na noite escura do espírito que nos faz gritar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”.
Paulo insiste que em meio às tribulações nossa resposta será norteada pelo amor: “1 Coríntios 4, 12-13”. Nas horas escuras é só a oração que nos sustenta e nos faz perseverar. Jesus rezou do alto da cruz: “Lucas 23, 46”.
Outra maneira de Deus nos falar é ouvir o próximo, dar ouvido ao clamor do povo, ir ao encontro dos que choram e se debatem na extrema miséria, do que é oprimido, explorado, expulso de sua terra, desrespeitado nos seus direitos, do detento na prisão. Tudo isso nos faz rezar, nos faz encontrar o Senhor.
O Papa Bento XVI – encíclica “Deus cáritas est” afirma: “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social – que se poderia deixar a outros, mas pertence à sua natureza. É expressão irrenunciável da sua própria essência”.
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora apresentam a Palavra, os Sacramentos e a Caridade como fontes de vida da Igreja. Destacam que a caridade é o “centro da vida cristã”. Aqui se encontra o distintivo dos cristãos, nas palavras do próprio Cristo: “João 15, 9-13”.
Por isso, a Conferência de Aparecida assumiu com força nova a opção pelos pobres, Dap. 399. Nunca podemos tapar os nossos ouvidos diante do clamor ao próximo. É Deus que nos fala através do oprimido. O fundamento de tudo isso é Jesus Cristo, que é o centro de nossa vida.
Todos e construtores, de nós mesmos, da sociedade, da Igreja, o importante é construirmos sobre a rocha como recomenda Jesus: “Mateus 7, 24-25”. Construir sobre a rocha é fixar a mente em Jesus Cristo: “Hebreus 3,1”. Fixar é aderir, firmar, assimilar. Essa é a nossa meta, a finalidade da nossa vida. Este retiro é uma oportunidade para isso. Vejam a pregação de João Batista: “Marcos 1, 1-5”, convidando o povo a acolher, aderir, firmar-se em Jesus Cristo. Preparem o caminho, endireitem suas estradas.
Ele vem. Ele traz o perdão, conversão, vida e nos faz renascer. Ele é a razão de estarmos aqui. Para isso é necessário o encontro que transforma e que converte. É como o homem que encontra o seu tesouro: “Mateus 13, 44-46”.
Para isso é necessário em primeiro lugar o encontro: “Marcos 1, 16-20”. Jesus vê Simão e André lançando redes. Foi para isso que Jesus os chamava para lançar as redes, ser missionários. Qual a condição? Deixarem à barca e a rede, o que possuíam.
João e Tiago estão consertando as redes. Elas se rompem com os atritos. Assim também é a nossa vida... é necessário reatarmos os laços com Jesus Cristo. Mas não podemos parar por aí, só consertando as redes a vida inteira. Hoje, esse é o grande perigo: uma religião somente de sentimentos e devocionismo.
Jesus Cristo é a manifestação plena do amor radical que se entrega, não somente pelos justos, mas, também, pelos pecadores: “Romanos 5,8”.
Seu desejo de salvação não é somente aguardar os que o buscam. Jesus é incessante e eterna entrega, de si mesmo para o outro. É o convite contínuo para todos nós, e por meio de nós a toda a humanidade, para segui-lo em meio às diferenças e desencontros.
Consequentemente, as atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do catequista.
Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que em Jesus Cristo, é meu irmão e minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta. É o reconhecimento que o outro é diferente de mim e esta diferença nos distingue, mas não nos afasta.
As diferenças nos atraem e nos complementam, convidando-nos ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha, ao intercâmbio de vida e solidariedade. Fechar-se no isolamento, no individualismo e em atitudes que transformam pessoas em mercadorias, é cair no pecado da idolatria e semear infelicidade. A vida só se ganha na entrega, na doação. Preservar-se é, em Jesus Cristo, auto entregar-se: “Mateus 10,38”.
Todo relacionamento é igualmente chamado a acontecer na gratuidade. A semelhança de Cristo que, saindo de si, foi ao encontro dos outros, nada esperando em troca: “Filipenses 2,5”. O catequista é chamado a questionar um mundo que se constrói a partir da mentalidade do lucro e do mercado, atitudes que geram violência, vingança, guerra e destruição: “Mateus 6, 24-25”.
Gratuidade significa amar em Jesus Cristo, o irmão e a irmã, respondendo através de atitudes fraternas e solidárias, a grande questão proposta a Jesus: “Lucas 10,29”. Significa cortar a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração, do pensar em si mesmo buscando sempre a retribuição e interesse próprio.
Gratuidade e alteridade, como expressões de amor, são fontes de paz, reconciliação, de perdão, que é o ápice da nova Lei. Ela leva a amar o inimigo, o que não é pactuar com a impunidade, corrupção e com todas as formas de desrespeito aos direitos básicos de toda a pessoa.
A gratuidade e alteridade levam o catequista a angustiar-se diante da inércia, da omissão dos responsáveis em tomar atitudes que superem o mal existente. Isto, porém, não impede o catequista do ideal do perdão e da reconciliação.
Gratuidade e alteridade são os modos de compreender o que há de mais decisivo em Jesus Cristo: a saída de si, rumo à humanidade marcada pelo pecado, fonte de dor e morte.
É por aí que Jesus Cristo vai se tornando centro da nossa vida. É por aí que se tem experiência de Deus, o encontro com o Senhor.
Biblicamente o profeta experimentava Deus, quando, olhando a realidade dura, sentia um apelo de Deus na Palavra, e respondia a esse apelo com gesto de amor em prol da vida.
É, pois, motivado pela atitude constante de ida ao encontro do outro que o catequista contempla a realidade, não desejando que ela se encaixe em suas expectativas, mas encarnando-se na realidade, ele discerne as exigências do Reino de Deus e trabalha para que esse Reino cresça cada vez mais.
Jesus nos amor até o fim. Por isso, a fidelidade do catequista é uma das maiores provas do seu amor ao mestre.
Palavra de fé: “Meu filho, ouve-me, adquire uma instrução sadia, torna o teu coração atento às minhas palavras”. (Eclesiástico 16,24)
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