sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O segredo da paz e das riquezas de Cristo

“Fixe seus olhos no Sangue de Cristo e entenda o quão precioso isso é para seu Pai, ao ser derramado para nossa salvação, Ele levou todo o mundo a graça do arrependimento” (São Clemente de Roma)

Nosso batismo nos libertou “do pecado original e de todos os pecados pessoais, assim como de todas as punições pelo pecado cometido” (CCC, 1263). Fomos transformados de uma vida velha para uma nova criação, capazes de partilhar da natureza de Deus. Entretanto, essa transformação nos foi dada em forma de semente batismal – ao orarmos, ao celebrarmos a Eucaristia, ao vivermos o amor. Nutrimos também a semente da nova vida, quando procuramos o Sangue de Jesus para nos purificar e perdoar.

No batismo, você recebeu o tesouro de uma nova vida, mas Deus agora o chama a escolher viver cada momento do dia como um herdeiro de Cristo.

Se desejamos conhecer o segredo da paz e das riquezas de Cristo, devemos colocar tudo o que temos e o que somos aos seus pés. Devemos substituir nosso “ego” por Cristo e permitir que na sua Cruz, envolto em seu Sangue, fique o amor ao egoísmo e a tudo o que consome a nossa atenção e energia.

Todas as vezes que participar da Santa Missa, permita que Jesus o envolva com seu precioso Sangue.

Durante o Rito Penitencial, peça ao Espírito Santo para aspergir o Sangue de Cristo sobre você. Ao rezar: “Confesso a Deus Todo Poderoso...”, deixe que saiam todos os seus pecados, para que você possa ser lavado. Durante a Oração Eucarística, imagine Jesus no altar. Veja-O como Sacerdote, Vítima e Altar do sacrifício. Ele abriu o caminho para você conhecer o amor do Pai e deseja ministrar-lhe esse amor. Quando receber a Eucaristia, saiba que, na presença do Senhor sobre o altar e com a Sagrada Escritura como testemunha, a misericórdia de Deus está fluindo para você. Depois da Comunhão, sente-se diante do Senhor e ore. Saiba que você foi nutrido pelo seu Sangue. Ele o fortaleceu, curou e moldou à sua semelhança. Sobretudo, deixe que a paz por conhecer o amor de Jesus inunde seu coração e mente.

Então, preenchido com todas as riquezas da presença de Deus, experimente a segurança e a paz que dEle provêm e que dinheiro algum do mundo pode comprar.


Palavra de fé: “Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção”. (Efésios 4,30)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Por que o filho único deixou de ser mimado?

Ter apenas um herdeiro é cada vez mais uma opção – e os pais estão mais bem preparados para lidar com ele.

O americano G. Stanley Hall (1844-1924), um dos pais da psicologia infantil, chegou a afirmar que “ser filho único é uma doença”. Desde então o mito vem se propagando. Crianças sem irmãos seriam isoladas, dependentes, mimadas, consumistas, egoístas, autoritárias – enfim, pequenos e problemáticos tiranos.

É tempo de rever esse conceito. Ter apenas um filho é cada vez mais uma opção dos casais. As taxas de fecundidade nunca estiveram tão baixas, graças principalmente às melhorias de condições econômicas. Ter família numerosa não é mais questão de sobrevivência. O Brasil é bom exemplo. Em 1970 cada mulher tinha em média 5,8 filhos. Em 2006 a taxa era de 2, a mesma dos Estados Unidos. E entre as mulheres com renda maior que cinco salários mínimos eram de apenas 1,1. Com a mudança da estrutura familiar, pais e educadores aprendem a lidar com essa nova situação.

O filho único é um tirano em potencial?
Não. Centenas de estudos comprovam que o comportamento da criança não muda se ela tiver ou não irmãos, afirmou Susan Newman, psicóloga da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, ao site ABC News. São outros os fatores que podem influenciar. Ser introvertido, por exemplo, é uma característica mais determinada pela genética. O que o filho único tem de diferente pode ser os pais.

Os pais do filho único podem estragá-lo?
Sim. Pais de filho único têm grandes desafios pela frente, como não pressionar a criança a ser perfeita, disse a psicóloga americana Toni Falbo à revista Claudia Bebê. Eles devem saber domar suas próprias inseguranças e tomar cuidado para não extrapolar nas cobranças, não se tornar superprotetores e ensinar o valor do dinheiro.

O filho único é mais solitário?
Pelo contrário. Como não tem irmãos, ele aprende a ser mais sociável, acredita Carolyn White, editora do site americano www.onlychild.com, voltado para orientação das famílias com um só herdeiro. Alguns cuidados nesse sentido podem ser tomados. Na hora de escolher uma escola os pais devem optar por aquelas que valorizem os trabalhos em grupo e esportes coletivos. No lugar do irmão, é o amiguinho que vai ensinar a criança a dividir os brinquedos, a lidar com o ciúme e a competir por atenção.

Que outros cuidados os pais devem ter com o filho único?
Deixá-lo freqüentar a casa dos amigos é importante para que ele conviva com a diversidade, segundo especialistas ouvidos pelo jornal Diário Popular, de Pelotas.

O filho único é mais adulto que as demais crianças de sua idade?
Sim. Ele possui, em média, mais vocabulário, mais cultura geral e maior interesse por áreas diversas como música, literatura, matemática e ciência, diz o jornalista Bill McKibben, autor do livro Maybe One: A Personal and Environmental Argument for Single-Child Families (Um, Talvez – Uma Argumentação Pessoal e Ambiental em Favor das Famílias de Um Filho Só).

Qual a vantagem de ter um irmão?
Irmão geralmente faz bem. Nele se bate, dele se apanha, divide-se com ele o amor dos pais, diz a Claudia Bebê. Mas ter um segundo filho deve ser sempre uma opção, nunca uma obrigação.

Por que as pessoas cada vez mais têm um filho só?
Geralmente por querer dar mais atenção e melhores recursos a um filho, por falta de tempo para cuidar de sua educação, pelo investimento das mulheres na carreira. Se ter apenas um filho for uma opção, é bom deixar claro para ele. Isso pode evitar futuras chantagens sentimentais.



Manual de instruções

Como educar seu pequeno tirano


- Ponha a criança cedo na escola. Com os amiguinhos ela aprenderá a dividir.

- Prefira escolas que valorizem trabalhos em grupo e esportes coletivos.

- Continue a fazer as atividades de antes do filho. Assim ele não se sentirá sempre o centro das atenções.

- Não dê muitos presentes. Ensine a ele o valor do dinheiro.

- Tome cuidado para não ser superprotetor nem muito exigente.



Palavra de fé: “O filho mal educado é a vergonha do seu pai, a filha semelhante não gozará de nenhuma consideração”. (Eclesiástico 22,3)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Setembro – mês da Bíblia

Oração antes de ler a Bíblia

Jesus Mestre, que dissestes: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles”, ficai conosco, aqui reunidos para melhor meditar e comungar com a vossa Palavra.

Sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, para que melhor compreendamos as Sagradas Escrituras.

Sois o Guia e o Caminho: fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.

Sois a Vida: transformai nosso coração em terra boa, onde a Palavra de Deus produza frutos abundantes de santidade e de apostolado.



Oração depois de ler a Bíblia

Jesus Mestre, vós dissestes que a vida eterna consiste em conhecer a vós e ao Pai. Derramai sobre nós a abundância do Espírito Santo! Que ele nos ilumine, guie e fortaleça no vosso seguimento, porque sois o único caminho para o Pai.

Fazei-nos crescer no vosso amor, para que sejamos, como o apóstolo Paulo, testemunhas vivas do vosso Evangelho.

Como Maria, Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos, guardaremos vossa Palavra, meditando-a em nosso coração. Jesus Mestre, Caminho, Verdade e a Vida, tende piedade de nós.




Palavra de fé: “... a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração”. (Hebreus 4, 12)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Valorize sua vida. Seja feliz.

Na parábola do evangelho de Lucas 14, 1.7-14, nos mostra dois momentos para refletirmos:

- o primeiro é onde se encontra Jesus e como Ele é observado na casa do fariseu (versículo 1 do capítulo 14);

- Cristo também observa os convivas e a maneira como escolhiam os primeiros lugares. Ao propor-lhes a parábola, Jesus participa do diálogo que está acontecendo em volta da mesa.

Lutar pelo “posto”, pela “posição” é uma constante na sociedade de hoje. Por isso, acontecem intrigas, exortações e corrupções.

Muitas vezes, nós também como convidados observados por Jesus, achamos que a posição é o que dá destaque ao homem, até mesmo desrespeitando espaços em pastorais na Comunidade.

Os ensinamentos de Jesus baseavam-se na própria vida, para fazer seus discípulos refletirem na responsabilidade e no comprometimento do agir com humildade no servir ao próximo. Como podemos ver neste evangelho de Lucas.

Assim, nessa parábola, Jesus nos ensina e estimula a evangelização, catequese e apostolado. Ele começa peã vida em seus detalhes mais comuns, convidando-nos a levar ao povo a palavra de Deus, o seu Evangelho.

Acomodados e dominados por falsos valores que assumimos e defendemos, invertemos os valores e os significados em nossa vida, o que acaba nos afastando cada vez mais de Verdade, da Justiça e do Amor – que é o próprio Deus.

Jesus nos orienta a buscarmos os verdadeiros valores, com audácia e firmeza. Que não nos deixemos iludir e enganar por padrões de comportamento que não dão a sensação de grandeza quando na verdade nada se produziu ou aconteceu.

Aos olhos de Deus tudo combina com uma determinada ordem que nem sempre coincide com os nossos critérios.



Palavra de fé: “Tenha Deus piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a luz da sua face”. (Salmo 66,2)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vinda de Jesus

Na parábola de Jesus em “Mateus 24, 42-51” fala-nos sobre a sua chegada. Mateus escreve fora de uma lógica a que não estamos acostumados, pois aqui, Ele se dirige aos seus patrícios judeus.


A má interpretação da proximidade da chegada de Jesus confundiu a muitos e fez, até que parassem de trabalhar em seus campos com este pensamento: Pra que plantar se não vou colher?


Passado o tempo, e nessa expectativa, não tinham o que comer e passaram a depender da comunidade para sobreviver!


Assim e aos poucos os cristãos foram caindo na realidade e entendendo o significado mais profundo da parábola de Jesus Cristo. Fica claro que se refere ao nosso tempo de vida até a morte, da qual não sabemos nem o dia e nem a hora que virá. Mas o que precisamos saber e entender, como o mais importante, é que Cristo chega até nós a cada minuto de nossa vida em todos os irmãos que vem ao nosso encontro.


Jesus quer nos ensinar que o nosso encontro com Ele não pode ser deixado para os últimos minutos da vida, e sim, viver com Ele o dia a dia na fé, na esperança de ser feliz neste mundo e estender-se além da morte!



Palavra de fé: “Todos os olhos esperançosos se dirigem para Vós, e a seu tempo Vós os alimentais”. (Salmo 144, 15)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CASAMENTO

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Por quê?" Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava.

Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Sentindo-me muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa. Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível porque o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Percebi que ela estava completamente louca, mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Experimentou uma série deles, e com um suspiro, disse: "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho. Fui até o meu novo futuro endereço, subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta.

Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando há vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício à felicidade, mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!


UM CASAMENTO CENTRADO EM CRISTO É UM CASAMENTO QUE DURA UMA VIDA TODA.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Falar a Teu respeito

Falar a Teu respeito é sempre uma ousadia, mas não permitas Senhor, que eu me torne um pregador atirado e atrevido, daqueles que afirmam o que não sabem, põe na Tua boca o que não disseste, oferecem revelações que não lhes foram feitas e proclama evidências que não aconteceram.

Deu quer, Deus disse, Deus exige, Deus manda, Deus fará, Deus concederá. Deus me diz nesse momento, Deus me disse ontem, Deus me disse meses atrás. É o que dizem com freqüência. E querem que acreditemos. E muitos acreditam, como se qualquer um pudesse ser Teu profeta!

Eles sabem que mentem, sabem que blefam e, se não o sabem, estão tremendamente confusos. Querem tanto que lhes fales que, antes de lhes falar, saem por aí dizendo que falaste. Querem tanto Te encontrar que, antes de Te encontrarem, saem por aí dizendo que Te encontraram. Não Te dão tempo, comem o Teu pão antes de estar assado.

Ousado eu quero ser, atirado não. Proclamarei que Tu existes, que és Pai e que é amoroso. Mesmo não sabendo explicar os desastres ecológicos, as mortes de crianças, as enfermidades incontornáveis, as torturas, os assaltos, os seqüestros, os estupros, a violência, a destruição dos teus filhos inocentes... mesmo assim, eu proclamo que existes.

Ouso dizer que existes e amas, embora não saiba explicar os acontecimentos que me cercam. Não conheço a Tua mente infinita mas dizer que sou profeta, que me dizes coisas, que sopras mensagens aos meus ouvidos e diante de uma platéia atônita, afirmar que eu estive contigo, que estiveste comigo, que me falaste, que me deste um recado, isso eu não farei!

Se me falasses ou eu achasse que me falas, eu procuraria irmãos mais profundos para me orientar sobre a natureza de tais acontecimentos. A maioria dos que disseram que lhes falaste e deste algum recado, estava enganada. Não eras Tu.

Os outros provaram com o tempo e com as suas vidas que algo especial lhes acontecera. Mas, ao fim, nem mesmo eles sabiam explicar como e por que aconteceu. Permaneceram humildes até o fim, nunca se exaltaram. É por essas e por mil outras razões que eu Te peço a graça da ousadia em Te proclamar, mas de não ser atrevido ao Te proclamar.

O mundo tem mais gente passando por santo e por profeta que gente santa e com dom da profecia. É fácil falsificar um produto e, ainda por cima, colocar nele um selo que o apresentam como verdadeiro. Difícil é fazer um produto de qualidade, que mesmo sem selo as pessoas percebam que é genuíno e legítimo.

Não Te peço essa profecia, peço apenas a humildade de reconhecer que talvez eu não a tenha. Anuncio-Te, sem dizer que somos íntimos, não por culpa tua. Eu é que ainda não consegui entrar no Teu santuário. Estou longe de ser o crente e a pessoa que eu deveria ser dentro da minha Igreja, diante das outras igrejas e diante do mundo.


Palavra de fé: “Guarda tua língua do mal, e teus lábios de palavras enganosas”.
(Salmo 33,14)