segunda-feira, 19 de julho de 2010

Esquizofrenia é doença de adolescentes e jovens adultos


Em Caminho das Índias, novela da Rede Globo, a autora Glória Perez aborda os problemas causados pela esquizofrenia. O personagem Tarso Cadore, interpretado por Bruno Gagliasso, vem demonstrando características de uma doença que afeta a sua vida. Mas afinal, o que é esquizofrenia?



A esquizofrenia é um transtorno do funcionamento do cérebro. As causas da doença ainda não estão claras para a ciência. Algumas pesquisas indicam que pode ser alguma alteração na química cerebral, fatores genéticos e mesmo alterações estruturais. Pessoas sem nenhum parentesco com esquizofrênicos tem 1% de chances de virem a desenvolver a doença: com pai ou com mãe aumenta para 10 a 15%; com irmão com a enfermidade as chances chegam a 20%.

O desenvolvimento da moléstia pode ser gradual, o que é mais comum, mas também pode ser acelerado. Geralmente ocorre durante a adolescência ou na mudança desta fase para a idade adulta. Na maioria dos casos não se percebe que algo está acontecendo com o paciente. Até a percepção da doença pelos familiares, e sua solidificação, podem se passar meses.

Na maior parte dos casos os primeiros sintomas são: dificuldade de concentração, estados de tensão de origem desconhecida, insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. Também é comum um desleixo com a aparência e um descuido com a higiene pessoal. O paciente desenvolve uma apatia, não apresenta vontade de realizar nenhuma atividade, fica deitado ou assistindo TV o tempo todo.

Com o passar do tempo os sintomas se agravam, o paciente apresenta uma conversa estranha, muitas vezes irreal. Podem desenvolver alucinações, mais comumente as auditivas. Ele ouve vozes que lhe humilham, xingam, ameaçam ou até mesmo conversam entre si.

Além das alucinações, também pode apresentar delírios. Acreditam estarem sendo perseguidos, como se alguém intencionasse lhe matar ou fazer-lhe algum mal.Também sofrem de perturbações do pensamento e alteração da sensação do eu – os pacientes acreditam não serem eles mesmos, imaginando que alguém tomou o seu corpo, ou crendo ser outra pessoa.

A única vantagem de se diagnosticar precocemente a doença é o início imediato do tratamento. Como ela não apresenta cura, o tratamento, através da medicação, apenas aliviará os sintomas e diminuirá o sofrimento vivido por paciente e família. Outras formas de terapia não substituem a utilização dos remédios.

Toda família também sofre com a esquizofrenia, pois, além dos sintomas, o preconceito é um forte obstáculo que se precisa enfrentar. É necessário compreender melhor a doença para ajudar o paciente. Se você também precisa de ajuda não poderá auxiliar aquele que de você precisa.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um filho e seus presentes

Eu queria que meu corpo fosse como um ninho para o meu filho. Acolhida assim, a criança aprende que o Universo a protege e experimenta a bondade. Aí, sim, os filhotes podem voar seguros, com um futuro à sua frente.

Ter um filho é algo que muda a nossa vida de forma inexorável. Dali para a frente o coração caminhará por caminhos fora do seu corpo.

Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um ninho. Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, escreveu sobre os ninhos. Imaginou que para o pássaro o ninho é uma cálida e doce morada, uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.

Era isso que eu queria ser. Eu queria que o meu corpo fosse um ninho-penugem que protegesse meus filhos.

Que felicidade enche o coração de um pai quando o filho que ele tem no colo se abandona e adormece! Deitada adormecida nos braços-ninho do seu pai a criança aprende que o Universo é um ninho! Não importa que não seja! Não importa que os ninhos estejam todos ao abandono! O ninho é uma fantasia eterna. “O ninho leva-nos de volta à infância, a uma infância!” (Bachelard).

É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de uma criança. É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de um pai. O pai que tem o seu filho adormecido nos seus braços é um poeta! Um homem que guarda memórias de um ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser uma criança calma.

Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai no espaço que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também podem ser ninhos.

O que a criança deseja não é liberdade. O que ela deseja é excursionar, explorar o espaço desconhecido desde que seja fácil voltar. Tela de Van Gogh: é um jardim. Ao lado direito do jardim, mãe e criança que acabam de chegar. Ao lado esquerdo, o pai, jardineiro, agachado com os braços estendidos na direção do filho pequeno. É preciso que o pai esconda o seu tamanho, que ele esteja agachado para que seus olhos e os olhos do seu filho se contemplem no mesmo nível. A cena é como um acorde suspenso, que pede uma resolução. É certo que o filho largará a mãe da mãe e virá correndo para o pai... E a fantasia pinta a cena final de felicidade que o pintor não pode pintar: o pai pegando o filho no colo, os dois rindo de felicidade...

O tempo passa. Os pássaros tímidos aprendem a voar sem medo. É a adolescência. Pobre pai que continua a estender os braços para o filho adolescente. Adolescente não quer ninho. Adolescente quer asas. Voar, voar... A volta ao ninho é o momento que não se deseja. Porque a vida não está no ninho, está no vôo. Se eles procuram os olhos dos pais, não é para se certificarem de que não estão sendo vistos! Aos pais só resta contemplar, impotentes, o vôo dos filhos para onde eles mesmos não podem ir. E o pai se tranqüiliza e pode finalmente dormir ao ouvir, de madrugada, o barulho da chave na porta: “Ele voltou...”.

Mas chega o momento quando os filhos partem para não mais voltar. Através da minha janela vejo um ninho que rolinhas construíram nas folhas de uma palmeira. A pombinha está chocando seus ovos. Vejo sua cabecinha aparecendo fora do ninho. Mas numa outra folha da mesma palmeira há um outro ninho, abandonado. Esse é o destino dos ninhos, de todos os ninhos: o abandono.

Gibran Kahlil Gibran escreveu, no seu livro O Profeta, um texto dedicado aos filhos. Não sei de cor suas precisas palavras. Mas vou tentar reconstruí-las. É aos pais que ele se dirige.

“Vossos filhos não são vossos filhos. Vossos filhos são flechas. Vós sois o arco que dispara a flecha. Disparadas as flechas, elas voam para longe e o arco fica só”.

Este é o destino dos pais: a solidão. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar.

Assim é com os bichos. Deveria ser conosco também. Mas não é. Quem é pai tem o coração fora de lugar, coração que caminha, para sempre, por caminhos fora do seu próprio corpo. Dito pela Adélia: “Pior inferno é ver um filho sofrer sem poder ficar no lugar dele”. Dito pelo Vinícius, escrevendo ao filho: “Eu, muita noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua”.

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.

Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...

Mas o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Viver como irmãos

Na parábola em “Lucas 10, 25-27”, Jesus ensina-nos o verdadeiro significado: amar o nosso próximo como a nós mesmos. Quer dizer “sermos irmãos” de todos que cruzam os nossos caminhos e que esperam alguma coisa de nós. Ser irmão é partilhar, ser sensível as necessidades do próximo, deixar seus compromissos pessoais para ajudar o outro.

Só nos tornamos irmãos de verdade quando nos comprometemos de forma efetiva e como prova de nosso amor a Deus!

A amizade e a fraternidade são construídas na caminhada em busca da fé. Elas não se encontram prontas e sem o exercício do amor ao próximo!

Sabemos e entendemos bem esta parábola, mas não sabemos ou relutamos em pô-las em prática. Falta-nos a prática. Falamos muito de fé, mas não a vivemos.

De forma clara, Jesus nos revela nesta parábola onde nós encontramos o nosso próximo. E responde quando perguntado, que o próximo é todo aquele que passa ao nosso lado, no dia-a-dia, nos tempos de hoje. Seja qual for a sua fisionomia, o próximo é um Cristo nosso irmão.

Assim, Jesus coloca no amor ao próximo a nossa retribuição ao seu amor por todos nós e a concretização da sua obra de salvação.

Entender isso é entender tudo que Jesus quer nos ensinar.

Fazer-nos irmãos!

Não se esqueça do principal

Uma lenda nos conta que uma mulher pobre com uma criança no colo, passou diante de uma caverna e escutou uma voz misteriosa que dizia: “Entre e pegue tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se: você tem oito minutos. Depois disto a porta se fechará para sempre. Aproveite a sua oportunidade e não se esqueça do principal!”.

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar tudo o que podia no avental. A voz misteriosa sempre repetia: “Você tem só oito minutos, e não se esqueça do principal!”.

Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro, correu para fora da caverna e a porta se fechou. Lembrou-se, então, que a criança ficara e a porta se fechara para sempre. A riqueza durou pouco e o desespero... sempre!

A mulher só se preocupou com as riquezas e esqueceu-se do principal: a criança!

Assim acontece conosco. Temos uns oitenta anos para viver e uma voz sempre nos diz: “NÃO SE ESQUEÇA DO PRINCIPAL: A VIDA ESPIRITUAL, A ORAÇÃO, OS SACRAMENTOS, A VIDA INTERIOR!”. Mas a ganância, a riqueza, a matéria... tudo isto nos fascina, e o principal fica de lado.

Esgotamos nosso tempo com trabalhos, estudos, diversões, lazeres, bens materiais... e deixamos de lado a vida da fé, da graça, a espiritualidade.

É bom lembrar que estamos neste mundo uma única vez. Quando a porta se fechar, de nada nos adiantará lamentar. Temos um tempo para viver: mas não nos esqueçamos do principal!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jesus nos ensina como rezar o Pai Nosso

Segundo o Evangelho de “Mateus 6, 7-15”


Nos Evangelhos encontramos duas interpretações da oração do Pai Nosso: uma com sete pedidos, e outro no Evangelho de “Lucas 11, 2-4” com cinco.

No Evangelho de Mateus, eis os sete pedidos:

1. Pai-Nosso: que todos reconheçam que Deus é Pai, por meio de Jesus Cristo vivo e presente no meio de nós;

2. Reino: que se realize o seu reino, já neste mundo, com a justiça;

3. Vontade: para vivermos no mundo a vida que Deus quer para nós. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”;

4. Pão: que Deus a todos oferece o necessário e o suficiente para vivermos, o pão material e o pão da vida, que é a Eucaristia;

5. Perdão: que o perdão, incondicional de Deus, seja a motivação para nós também perdoarmos. O perdão é dom de Deus. O perdão que recebemos de Deus existe, de fato, à medida que perdoamos o nosso irmão;

6. Tentação: que Deus não nos deixe fraquejar e cair nas tentações e nas injustiças;

7. Perder a fé: eis a grande ameaça na sociedade atual que nos impõe como valores o ter, o poder, a ambição, o prestígio, a idolatria, a sexualidade e outras mais.


Pai-misericordioso protegei-nos e iluminai-nos. Amém!


Leia a medite: Salmo 96, 6-12.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Oração do enfermo - Reze com fé!

Senhor coloco-me humildemente diante de Ti, frágil e pecador (a), em atitude de oração.

Sei que tudo podes, tudo ouves, que estás dentro de minh´alma. Eu é que não te dou a devida importância e atenção.

Perdão Senhor, médico dos médicos!

Olha com misericórdia para mim e para o meu corpo fragilizado pela doença.

Sabes bem, Senhor, quanto é penoso o sofrimento.

Sei também que não te alegras com o sofrimento dos Teus filhos.

Ajuda-me Senhor!

Concede-me, Senhor, força e coragem para vencer os momentos de desespero, de dor e cansaço.

Dai-me, Senhor, por graça, paciência, compreensão, fé, esperança e humildade.

Aceitai, Senhor, a minha doença, as minhas preocupações, angústias e sofrimentos, para que possa aproximar-me mais de Ti, o Senhor da vida.

Permite, Senhor, que eu una meus sofrimentos aos sofrimentos do Teu Filho Jesus Cristo, que, por amor, a humanidade deu Sua vida no alto da cruz. Amém!




Após esta oração, reze um Pai Nosso e uma Ave-Maria.


Reze uma vez ao dia, durante 30 dias ininterruptamente.


Tome seus remédios conforme as indicações médicas.


Depois, veja o resultado. Tenha fé!

Diagnóstico: Alzheimer

Almocei com um amigo semanas atrás e, quando perguntei a razão de seu abatimento, ele me disse sem rodeios: “Essa manhã recebi o diagnóstico de minha mãe: é Alzheimer”. Imaginei essa senhora, alegre e vital, enveredando pelas sombrias trilhas de uma enfermidade diabólica, e entendi a tristeza de meu amigo como se fosse minha. Minha própria mãe morreu aos 90 anos, depois de bem mais de uma década sendo paulatinamente envolvida na mortalha mental e emocional do Alzheimer. Uma bela mulher ativa tornou-se inexoravelmente uma estranha, raramente ostentando uma vaga semelhança com a que fora minha mãe.

A doença se manifesta em geral muito sutil: um esquecimento aqui, uma confusão ali. Uma atitude estranha aqui, outra ali, intercaladas por fases de aparente normalidade. A sociabilidade muda, os bons modos parecem esquecidos, o controle do dinheiro se torna caótico, e é dificílimo interferir. Há enorme resistência dos familiares em aceitar essa enfermidade. Para mim, minha mãe sofria episódios naturais de esquecimento. Só o choque de um dia a encontrar com uma pintura bizarra no rosto, ela tão recatada, me fez cair na duríssima realidade. Ela já não sabia, ou em longos períodos não sabia, o que estava fazendo. Algumas pessoas mais chegadas tinham me avisado: eu havia me recusado a ver.

O que eu disse a meu amigo, disse a mim mesma nos muitos longuíssimos anos daquela jornada: o doente em geral não sofre. A família sim. O que se pode fazer? Muito pouco, além de cuidar para que ele esteja bem alimentado, bem abrigado, medicado e tratado com carinho. Nada de criticar quando não sabe mais quem somos, porque no fim não sabe mais quem ele próprio é. Quando já não se porta à mesa como antes, quando faz “artes” às vezes perigosas, ele precisa ser protegido, não mais ensinado. Não vai mesmo aprender. Como sempre nas doenças graves, devemos lembrar que a vítima não somos nós: é o outro. Nesse processo, que em geral dura muitos anos, não há nada de bom, de belo, de encantador, a não ser o exercício da ternura, da paciência e dos cuidados, sem esperar muito retorno, pois em breve seremos chamados de senhor, senhora, moça, não mais de filha, filho, meu querido. O ser amado se distancia, sem volta, sem saber, sem querer e sem que nada possa evitar: agora havia ali uma velhinha da qual eu cuidava como podia. Por fim, para a proteger de si própria, por insistência dos médicos ela foi posta na melhor clínica que pude assumir. Jamais esquecerei a dor e a culpa que me assaltaram, contrariando qualquer raciocínio. Milhares de vezes tentei me convencer de que minha mãe nem existia mais, era apenas uma velhinha de quem eu tinha de cuidar. Como ficção, funcionava: como realidade, a cada uma das centenas de visitas meu coração se partia outra vez.

Cuide de sua doente, eu disse a um amigo, da melhor forma. Não alimente nenhuma esperança vã, pois tudo é triste, infinitamente desalentador. Uma coisa que ajuda, um pouco, é tentar entrar no universo do doente, em lugar de querer que ele retorne ao nosso. Mas cuide também de si mesmo. Tente pegar-se no colo, proteja-se da culpa insensata que nos espreita, siga sua vida. Na natureza morrem árvores jovens, e velhas árvores tortas vivem muito além da última floração.

Estamos mergulhando no mistério: isso torna a vida possível mesmo quando não a entendemos.