Quando se preparam as missões, todo mundo é envolvido. Na primeira fase, se faz o levantamento das famílias que irão rezar a segunda fase. Nessa fase inicial, são descobertas pessoas excelentes para trabalharem na comunidade. Criam-se ou se refazem laços de amizade.
Já na segunda fase das missões, as famílias começam a se visitar de casa em casa, proporcionando momentos ricos que ajudam na reflexão dos textos do livrinho das missões. É lindo ver as famílias congregadas num só mutirão de oração, reflexão e amizade.
Estivemos no mês de agosto na cidade de Votorantim – SP. Vimos como a vida é iluminada por Deus. No término dessa terceira fase, em 16/08, na comunidade Nossa Senhora Desatadora dos Nós, no almoço de despedida, pois Pe. Brás Romeiro, Pe. Bapstistine e o seminarista José Luís iriam para outra comunidade, um testemunho final na residência do casal Nilton e Sônia emociona a todos. Duas famílias viram que a amizade é tudo. Sandro Camargo deu o seguinte testemunho:
“Meu nome é Sandro Camargo, tenho 40 anos, sempre tive uma preocupação muito grande em afastar as pessoas de mim. Quem mais sofria com isso era a minha esposa, Márcia, e meus filhos, Lucas e Matheus. Eu era tão mesquinho e egoísta, que tentava também afastar os amigos de minha esposa.
Incomodava-se o fato de minha esposa freqüentar as celebrações da missa e estar sempre de bem com a vida. Demorou muito tempo para descobrir que eu fazia isso para alimentar um grande vazio dentro de mim. Eu era oco, sem Deus no coração e sempre buscando motivos para brigar e magoar as pessoas que me amam.
Aí vieram as missões, com grupos de oração se reunindo nas casas e para falar sobre a obra de Deus. Quando meu vizinho, Nilton, pediu para se reunir em minha casa, aceitei, mas foi por obrigação, e ainda comentei com minha esposa o quanto eu achava ‘engraçado’ isso tudo.
Durante a reunião, algo aconteceu, não sei explicar o que foi, só sei que foi muito bom. Depois dessa reunião em casa, fui a todas as outras. As pessoas que eu esnobava passaram a me tratar como amigo, e isso foi muito bom. Aí vieram os padres redentoristas e tudo se completou. Agora eu sei que fomos feitos para viver em comunidade. As diferenças existem, mas junto com elas vêm a tolerância e o amor ao próximo.
Agradeço a Deus, à minha esposa e ao meu amigo, Nilton, por não terem desistido de mim. Agora sei que, mesmo quando caminhamos na escuridão, Deus está sempre presente. Basta você falar: “Estou aqui, Senhor, faz em mim sua obra”.
Minha vida com Jesus Cristo está começando agora. Graças a Deus!”.
Belo testemunho este, que nos faz encher os olhos e ver que as missões são esses momentos de fé, de oração, de comunidade, de alegria e de amizade, sempre com os irmãos e com Deus. E assim vamos “Unidos em Cristo, com Maria, para viver e crescer em comunidade”.
Palavra de fé: “A luz do justo ilumina, enquanto a lâmpada dos maus se extingue”. (Provérbios 13,9)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Modo de agir de um bom cristão
Quando por ocasião das missas de “cura e libertação”, ao vermos as igrejas lotadas, sentimo-nos (comunidade e padres) envaidecido. Jesus, ao contrário, diante das grandes multidões fica preocupado. Ele, Jesus Cristo, descreve os seus discípulos como “pequeno rebanho”, vejam em “Lucas 12, 32”, como um “pouco de sal” (Mateus 5,13) ou “de fermento” (Mateus 13,33), como um “grão de mostarda” (Mateus 13,31). Se por um lado não deve causar surpresa, o fato de tanta gente procurá-lo e acompanhá-lo, provavelmente pensa Ele: “ou eles não me entenderam ou Eu não me expressei bem. Por via das dúvidas, é melhor esclarecer melhor as coisas”.
Voltando-se aos discípulos, começa a explicar quais são os compromissos e o modo de agir para quem escolhe segui-lo como seu discípulo (Lucas 14, 25-33). Reflitamos e perguntamos a nós mesmos: qual é o verdadeiro motivo que leva, em certas celebrações, as multidões ás igrejas ou às praças? Os que participam com tanto entusiasmo dessas celebrações litúrgicas, procissões, romarias, estão realmente conscientes dos compromissos que a fé em Cristo nos exige?
Jesus, neste Evangelho (Lucas 14, 25-33), apresenta três exigências bem rigorosas para quem quiser segui-lo: deve desapegar-se da família, dos bens materiais e da própria vida. Condições inaceitáveis para que se deixa guiar por seus ideais humanos. Mas entendidos por aqueles que receberam a “sabedoria do alto”.
Com sua palavra e seu exemplo, Cristo vai estabelecendo os princípios de uma nova convivência pacífica para a humanidade baseada no amor e no perdão.
A vida cristã exige um constante “recomeçar” e uma adesão contínua e sempre renovada na missão de Jesus Cristo. Caminhar com Ele pregando os seus ensinamentos.
Jesus precisa de discípulos para a missão de evangelizar.
Palavra de fé: “...ouví-me todos, e entendei”. (Marcos 7, 14)
Voltando-se aos discípulos, começa a explicar quais são os compromissos e o modo de agir para quem escolhe segui-lo como seu discípulo (Lucas 14, 25-33). Reflitamos e perguntamos a nós mesmos: qual é o verdadeiro motivo que leva, em certas celebrações, as multidões ás igrejas ou às praças? Os que participam com tanto entusiasmo dessas celebrações litúrgicas, procissões, romarias, estão realmente conscientes dos compromissos que a fé em Cristo nos exige?
Jesus, neste Evangelho (Lucas 14, 25-33), apresenta três exigências bem rigorosas para quem quiser segui-lo: deve desapegar-se da família, dos bens materiais e da própria vida. Condições inaceitáveis para que se deixa guiar por seus ideais humanos. Mas entendidos por aqueles que receberam a “sabedoria do alto”.
Com sua palavra e seu exemplo, Cristo vai estabelecendo os princípios de uma nova convivência pacífica para a humanidade baseada no amor e no perdão.
A vida cristã exige um constante “recomeçar” e uma adesão contínua e sempre renovada na missão de Jesus Cristo. Caminhar com Ele pregando os seus ensinamentos.
Jesus precisa de discípulos para a missão de evangelizar.
Palavra de fé: “...ouví-me todos, e entendei”. (Marcos 7, 14)
Mês de Setembro: mês da Bíblia
O livro mais lido e menos entendido
“Os que semeiam com lágrimas, ceifam em meio a canções. Vão andando e chorando ao levar a semente. Ao regressar, voltam cantando seus feixes”.
(Sl 126,5-6)
Setembro é o mês da Bíblia, este livro mais lido no mundo inteiro e, talvez o menos compreendido. Livro de cabeceira para muitos que sofrem de insônia. Uma arma para quem seleciona passagens a fim de defender suas posições e atacar as dos outros; um documento arqueológico; coletânea de mitos e lendas.
Muito se falou e se fala da Bíblia, milhares e milhares de livros foram escritos para explicá-la. Neste mês em muitas comunidades, por esse Brasil afora, acontecerão cursos bíblicos, palestras sobre a Bíblia. Nas celebrações ela será sempre levada com muita pompa para a mesa da Palavra. Mas o que a Bíblia fala de si mesma? “Tua Palavra é lâmpada para meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 119, 105). A Bíblia nasceu do chão da vida do povo de Deus em sua vida, em suas lutas, vitórias e fracassos. Essas experiências foram contadas, recontadas, cantadas e rezadas.
Quando o caminho pela frente parecia muito escuro, o povo relia o texto sagrado para que sua luz se espalhasse pela vida afora. O texto era mesmo uma lanterna nas mãos do povo para iluminar o caminho a seguir. É isso que ela tem que ser para nós também, sobretudo nestes tempos que estamos vivendo aqui, em nosso Brasil, tempo de desemprego, de inseguranças, tempo de angustia e de desânimo para milhões de brasileiros.
A palavra de Deus não pode ficar prisioneira dos templos, ela é a semente lançada generosamente por Deus no chão da nossa vida, do nosso povo.
Que neste mês de Setembro, mês da Bíblia, Santo Antônio, o homem que conhecia, amava e praticava a Palavra de Deus, nos ajude a viver nossa vida iluminados por essa mesma Palavra que tanto o iluminou.
Palavra de Fé: “Quem ouve a palavra com atenção encontra a felicidade; ditoso quem confia no Senhor!”. (Provérbios 16, 20)
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Frustração no relacionamento entre PAIS e FILHOS
O relacionamento entre pais e filhos sempre foi, e continuará sendo, alvo de conflitos. Basicamente não estamos preparados para ser pais; no entanto, somos todos filhos. Desde pequenos, buscamos a aprovação e o reconhecimento das pessoas que são importantes para nós, entre elas nossos pais. Nem sempre é fácil agradar, e muitos filhos realmente não conseguem isso, pois alguns pais fazem exigências demais e se recusam a aceitar os filhos com as características que lhes são peculiares. Isso pode gerar uma grande frustração, em ambas as partes. Tais lembranças poderiam ficar para trás se não fosse o fato de os filhos, um dia, tornarem-se pais.
Como pais, os filhos passam, mesmo que inconscientemente, a comparar de forma como foram criados com a que dispensam aos próprios filhos. Normalmente, as mágoas que não foram adequadamente resolvidas no passado voltam a atormentar no presente.
É comum filhos que foram duramente exigidos serem mais liberais quando pais, pois sabem o quanto sofreram nas mãos dos genitores.
A forma de expressar afeição é outro ponto que pode trazer divergências entre as gerações. Alguns pais entendem que os filhos precisam se sentir valorizados e constantemente os incentivam e elogiam. Outros, porém, temem que, ao serem elogiados, os filhos sintam-se soberbos, desdenhando-os; por isso, economizam nas palavras doces, carregando na disciplina e nas exigências. Nada do que o filho fizer será suficientemente bom. Qualquer filho criado dessa forma fica realmente revoltado ao se tornar pai, pois acaba espelhando, com pesar, muitas das situações em que teve mérito na infância, e não foi reconhecido. Isso porque quaisquer pais de mediana inteligência são capazes de avaliar os progressos de sua criança, a eficiência escolar e seu bom comportamento.
Alguns pais nunca foram elogiados, então sentem uma enorme dificuldade em elogiar. Se o fazem, no entanto, lembram que jamais foram tratados com delicadeza e lamentam o tempo perdido e a falta de reconhecimento dos genitores. É por isso que o relacionamento entre pais e filhos é tão complexo. No entanto, nem todo filho será pai; mas os que forem invariavelmente irão relacionar a forma como foram tratados como filhos ao tratamento dispensado à própria prole.
É importante que façamos aos outros o que desejamos que nos façam. Independentemente da classificação “pai” ou “filho”, o que existem são pessoas que desejam ser amadas, reconhecidas, valorizadas por suas características inatas ou adquiridas. Se você hoje é pai, com certeza já foi filho, e entende o que estou escrevendo. Se você é filho, compreende parcialmente, mas um dia poderá entender muito mais. Tratar o outro como gostaria de ser tratado, com amor e respeito, é a melhor forma de assegurar que se minimizem as frustrações no relacionamento entre as gerações.
Palavra de fé: “Um filho sábio ama a disciplina, mas o incorrigível não aceita repreensões”. (Provérbios 13,1)
Como pais, os filhos passam, mesmo que inconscientemente, a comparar de forma como foram criados com a que dispensam aos próprios filhos. Normalmente, as mágoas que não foram adequadamente resolvidas no passado voltam a atormentar no presente.
É comum filhos que foram duramente exigidos serem mais liberais quando pais, pois sabem o quanto sofreram nas mãos dos genitores.
A forma de expressar afeição é outro ponto que pode trazer divergências entre as gerações. Alguns pais entendem que os filhos precisam se sentir valorizados e constantemente os incentivam e elogiam. Outros, porém, temem que, ao serem elogiados, os filhos sintam-se soberbos, desdenhando-os; por isso, economizam nas palavras doces, carregando na disciplina e nas exigências. Nada do que o filho fizer será suficientemente bom. Qualquer filho criado dessa forma fica realmente revoltado ao se tornar pai, pois acaba espelhando, com pesar, muitas das situações em que teve mérito na infância, e não foi reconhecido. Isso porque quaisquer pais de mediana inteligência são capazes de avaliar os progressos de sua criança, a eficiência escolar e seu bom comportamento.
Alguns pais nunca foram elogiados, então sentem uma enorme dificuldade em elogiar. Se o fazem, no entanto, lembram que jamais foram tratados com delicadeza e lamentam o tempo perdido e a falta de reconhecimento dos genitores. É por isso que o relacionamento entre pais e filhos é tão complexo. No entanto, nem todo filho será pai; mas os que forem invariavelmente irão relacionar a forma como foram tratados como filhos ao tratamento dispensado à própria prole.
É importante que façamos aos outros o que desejamos que nos façam. Independentemente da classificação “pai” ou “filho”, o que existem são pessoas que desejam ser amadas, reconhecidas, valorizadas por suas características inatas ou adquiridas. Se você hoje é pai, com certeza já foi filho, e entende o que estou escrevendo. Se você é filho, compreende parcialmente, mas um dia poderá entender muito mais. Tratar o outro como gostaria de ser tratado, com amor e respeito, é a melhor forma de assegurar que se minimizem as frustrações no relacionamento entre as gerações.
Palavra de fé: “Um filho sábio ama a disciplina, mas o incorrigível não aceita repreensões”. (Provérbios 13,1)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Senhor, faze com que eu ande!
Senhor,
Tu que me mandaste anunciar o Evangelho a todas as criaturas, faze com que eu ande, sem jamais cansar!
Liberta as minhas pernas da preguiça, afasta meu corpo da vontade de dormir, desata meu coração das amarras que o prendem às coisas sem importância, solta o meu Espírito da desgraça do egoísmo e da solidão. E faze com que eu ande pelo mundo todo ao encontro dos corações sem rumo, à procura da humanidade sem destino.
Senhor,
Que eu não acomode debaixo de uma tenda de indiferença, que eu não fique dormindo o tempo todo no meu barco ancorado num mar de tranqüilidade.
Que eu não fique vegetando nesta “doce vida” de cristão não comprometido, mas sinta, como Paulo, o desejo de andar sem parar e a sua própria inquietação missionária: “Ai de mim, se eu não evangelizar!”.
Que eu ande, Senhor:
Ao encontro daquele que sofre porque ninguém ainda lhe estendeu a mão. Ao encontro daquele que chora porque ninguém ainda lhe falou uma palavra de amor. Ao encontro daquele que caminha nas trevas porque ninguém ainda lhe acendeu uma luz.
Que eu seja capaz de levar a todos uma fatia de pão e um copo de vinho; o pão do calor humano e o vinho da esperança.
Que eu ande, Senhor! Mas não me deixes partir sozinho e de mãos vazias!
Deixa que eu leve comigo o suave peso da Tua presença e do teu amor, luz a despertar a fé e a encaminhar o homem para Ti!
Palavra de fé: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura!”. (Marcos 16, 15)
Tu que me mandaste anunciar o Evangelho a todas as criaturas, faze com que eu ande, sem jamais cansar!
Liberta as minhas pernas da preguiça, afasta meu corpo da vontade de dormir, desata meu coração das amarras que o prendem às coisas sem importância, solta o meu Espírito da desgraça do egoísmo e da solidão. E faze com que eu ande pelo mundo todo ao encontro dos corações sem rumo, à procura da humanidade sem destino.
Senhor,
Que eu não acomode debaixo de uma tenda de indiferença, que eu não fique dormindo o tempo todo no meu barco ancorado num mar de tranqüilidade.
Que eu não fique vegetando nesta “doce vida” de cristão não comprometido, mas sinta, como Paulo, o desejo de andar sem parar e a sua própria inquietação missionária: “Ai de mim, se eu não evangelizar!”.
Que eu ande, Senhor:
Ao encontro daquele que sofre porque ninguém ainda lhe estendeu a mão. Ao encontro daquele que chora porque ninguém ainda lhe falou uma palavra de amor. Ao encontro daquele que caminha nas trevas porque ninguém ainda lhe acendeu uma luz.
Que eu seja capaz de levar a todos uma fatia de pão e um copo de vinho; o pão do calor humano e o vinho da esperança.
Que eu ande, Senhor! Mas não me deixes partir sozinho e de mãos vazias!
Deixa que eu leve comigo o suave peso da Tua presença e do teu amor, luz a despertar a fé e a encaminhar o homem para Ti!
Palavra de fé: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura!”. (Marcos 16, 15)
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Sussurro de Deus
Conta-se que um amigo levou um índio para passear no centro de uma grande cidade. Seus olhos não conseguiam crer no tamanho dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético das pessoas indo e vindo. Espantava-se com o barulho ensurdecedor das sirenes, dos automóveis e das pessoas falando em voz alta.
De repente, o índio falou: “Ouço um grilo...”. O amigo espantado retrucou: “Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!”. O índio insistiu que ouvia o cricrilar de um grilo. Então tomou seu amigo pela mãe e levou-o até um canteiro. Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto. “Como?”, perguntou o rapaz, ainda sem crer. O índio pediu-lhe algumas moedas e jogou-as na calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou.
Então o índio falou: “Escutei o grilo porque os meus ouvidos estão acostumados com esse tipo de barulho. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque foram condicionadas a reagir a esse tipo de estímulo”. Depois arrematou: “A gente ouve o que está acostumado ou treinado para ouvir”.
É importante fazer algumas reflexões sobre as mensagens que esta pequena história contém.
Vivemos mergulhados numa infinidade de ruídos, de barulhos estranhos, num mundo onde grande parte das pessoas só responde ao estímulo de um tilintar de moedas.
Precisamos adestrar nossa audição para ouvir os mínimos sussurros que passam despercebidos no dia a dia agitado. Poderíamos dizer que, se tivéssemos ouvidos bem treinados, poderíamos ouvir os sussurros de Deus. Nesse mundo barulhento, deixamos de ouvir sons de profunda beleza, como a melodia suave da brisa da manhã ou a sonoridade encantadora do bater das asas de um beija-flor.
Em meio a tantos interesses materialistas, a homenagem que as antigas e frondosas árvores rendem a cada amanhecer, com a cantoria de sua folhagem, não nos sensibiliza a audição. O ritmo frenético em que vivemos não permite ouvir a cantoria dos pássaros, o coaxar das rãs, o piar da coruja solitária que busca refúgio nos grandes centros. É preciso treinar a audição, mas também desenvolver outras sensibilidades que por vezes parecem adormecidas.
Deixar que o nosso coração se enterneça diante do apelo silencioso de uma criança sem lar... Do soluço abafado de alguém que perambula sem esperança... De um pedido de socorro que não chefa a vibrar nas cordas vocais... Do gemido quase mudo que vem do leito de dor da casa vizinha...
Enfim, precisamos apurar todos os sentidos para que possamos ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Mas, acima de tudo, um coração para sentir...
Palavra de fé: “Ao sopro de Deus forma-se o gelo e a superfície das águas se congela”. (Jó 37, 10)
De repente, o índio falou: “Ouço um grilo...”. O amigo espantado retrucou: “Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!”. O índio insistiu que ouvia o cricrilar de um grilo. Então tomou seu amigo pela mãe e levou-o até um canteiro. Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto. “Como?”, perguntou o rapaz, ainda sem crer. O índio pediu-lhe algumas moedas e jogou-as na calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou.
Então o índio falou: “Escutei o grilo porque os meus ouvidos estão acostumados com esse tipo de barulho. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque foram condicionadas a reagir a esse tipo de estímulo”. Depois arrematou: “A gente ouve o que está acostumado ou treinado para ouvir”.
É importante fazer algumas reflexões sobre as mensagens que esta pequena história contém.
Vivemos mergulhados numa infinidade de ruídos, de barulhos estranhos, num mundo onde grande parte das pessoas só responde ao estímulo de um tilintar de moedas.
Precisamos adestrar nossa audição para ouvir os mínimos sussurros que passam despercebidos no dia a dia agitado. Poderíamos dizer que, se tivéssemos ouvidos bem treinados, poderíamos ouvir os sussurros de Deus. Nesse mundo barulhento, deixamos de ouvir sons de profunda beleza, como a melodia suave da brisa da manhã ou a sonoridade encantadora do bater das asas de um beija-flor.
Em meio a tantos interesses materialistas, a homenagem que as antigas e frondosas árvores rendem a cada amanhecer, com a cantoria de sua folhagem, não nos sensibiliza a audição. O ritmo frenético em que vivemos não permite ouvir a cantoria dos pássaros, o coaxar das rãs, o piar da coruja solitária que busca refúgio nos grandes centros. É preciso treinar a audição, mas também desenvolver outras sensibilidades que por vezes parecem adormecidas.
Deixar que o nosso coração se enterneça diante do apelo silencioso de uma criança sem lar... Do soluço abafado de alguém que perambula sem esperança... De um pedido de socorro que não chefa a vibrar nas cordas vocais... Do gemido quase mudo que vem do leito de dor da casa vizinha...
Enfim, precisamos apurar todos os sentidos para que possamos ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Mas, acima de tudo, um coração para sentir...
Palavra de fé: “Ao sopro de Deus forma-se o gelo e a superfície das águas se congela”. (Jó 37, 10)
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Ele é agressivo demais!
Meu filho de 8 anos é muito nervoso e tem ataques de fúria difíceis de controlar. Como ajudá-lo a modificar esse comportamento?
Atitudes agressivas normalmente são um pedido de ajuda diante de conflitos que a criança não consegue expressar com palavras. Crises na família, mudança de escola, perda de alguém querido, problemas de aprendizagem e de relacionamento desencadeiam sentimentos de inseguranças e de desamparo. A agressividade é uma reação possível e tende a desaparecer se os pais identificam o que incomoda o pequeno e o ajudam a superar a dificuldade. Mas, se a criança sempre foi briguenta e o quadro está se agravando, talvez seja preciso requisitar o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra infantil.
Às vezes, a agressividade se aprende na família. Em uma casa onde todos tentam se impor pela força, ser agressivo é uma maneira de se legitimar. Um erro comum é atribuir esse comportamento à natureza do pequeno por meio de comparações como: “É nervosinho como o avô”. Possivelmente, o avô que agia assim passou por sérios problemas de socialização, dos quais o filho pode ser poupado. Por isso, o primeiro passo é a família fazer uma autoavaliação para identificar se o ambiente está propiciando as atitudes agressivas da criança. Outro cuidado importante é calibrar a própria reação nas crises. Gritar e revidar a violência são os piores erros que os adultos podem cometer, pois reafirmam para a criança que aquele comportamento é aceitável – ganha quem é mais forte ou grita mais alto.
Na hora da explosão, o ideal é parar o que estiver fazendo e tentar acalmar a criança dizendo que irão conversar sobre aquilo mais tarde, quando ela conseguir se controlar. Se não funcionar, mande-a para o quarto e deixe-a sozinha para pensar no que fez. Na hora de conversar, os pais devem explicar que ficaram ressentidos com aquele comportamento e que a autoridade deles deve ser respeitada, pois são responsáveis por sua educação. Cabe mostrar à criança como poderia ter resolvido aquele problema de maneira socialmente aceitável. Ao mesmo tempo em que é preciso demonstrar compreensão e interesse pelos sentimentos do filho, não se deve deixar o incidente sem punição. Procure vincular o castigo ao dano causado – por exemplo, se o pequeno quebrou algo na hora da raiva, tem que consertar ou pagar outro com a própria mesada; se ofendeu alguém, deve pedir desculpas. A privação de algo que ele goste, como assistir TV ou ir à casa dos amigos, também pode levá-lo a pensar duas vezes antes de explodir em uma próxima ocasião.
Uma atitude complacente é a pior saída. Se os limites não forem claros, a tendência é que o comportamento violento, que antes se restringia à casa, passe a se manifestar também na escola e com o grupo de amigos. Outro risco é que essas agressões evoluam, passando ao ataque físico. O auxílio de um psicoterapeuta ou psicopedagogo pode ajudar os pais a se posicionarem, estimulando no filho a mudança necessária.
Palavra de fé: “Quem poupa a vara odeia seu filho; quem o ama castiga-o na hora precisa”. (Provérbios 13, 24)
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