A formação do homem e da mulher é narrada na Bíblia no estilo de reflexão popular. A criação do homem é narrada na Bíblia duas vezes e de modos diferentes: “Gênese 1,26-2” e “Gênese 2,7”. Verifique!
A primeira narração afirma a dignidade do homem, sua espiritualidade, sua liberdade: ele é imagem e semelhança de Deus, isto é, ele corresponde ao modelo divino. Ele é imagem, pode relacionar-se com Deus, falar-lhe, ouvir a voz e até resistir-lhe. Segundo os estudiosos, foi feita por um grupo de sacerdotes que salientam a parte espiritual.
A segunda narração vem do povo. É mais concreta e a narração mostra, então, o aspecto físico, corporal, aquilo que se percebe.
Que o homem, além de suas capacidades intelectuais e espirituais, além de sua liberdade, apresenta em si a força terrena: ele é terreno, limitado, frágil, pecador, sujeito a dor, a morte. O narrador deste pensamento popular usou uma comparação muito conhecida no seu tempo, o “oleiro”: Deus modela o homem, como o “oleiro” molda o tijolo, o vaso. O homem é criatura das mãos de Deus, é feito de barro. Com isso, o autor não descreve o modo como o homem foi feito, mas sim, chama atenção para sai fragilidade e dependência de Deus. “Formar, pois, o homem do barro”, não é um ensinamento cientifico da Bíblia, e sim, teológico. Ela ensina que o homem vem de Deus, depende de Deus, é pecador, fraco e limitado. É como o vaso de barro que se quebra facilmente.
Também a formação da mulher é ensinada dentro desse tema literário de sabedoria popular. Basicamente a narração quer mostrar que homem e mulher são iguais, que entre eles há a atração de complementação; que essa atração leva à aproximação, ao amor e ao casamento monogâmico.
Essa atração profunda e misteriosa, o autor observa no dia-a-dia, como observamos hoje também. Ele traduz isso pela expressão “tirar da costela”. A mulher não foi tirada da costela do homem, mas foi criada, como o homem, por Deus. Por isso são iguais. Confira: “Gênese 2,23”.
O autor relata ainda o sono de Adão, durante o qual Deus realiza a “operação”. Deus não fez cirurgia nenhuma. Para os antigos, a obra da criação era algo misterioso, só conhecido por Deus. Veja no “Salmo 138/139”. Leia e compreenda.
O homem, segundo a narração, não tinha capacidade para entender a criação. Por isso ele dorme quando Deus cria a mulher, sua companheira. Discutir se o homem foi feito ou não de barro ou se a mulher foi tirada ou não da costela de Adão é discussão inútil, porque está fora da idéia do autor. Ele não ensina isso. Faz apenas uma observação teológica, e para isso, usa comparações populares do seu tempo. Ficar nas comparações e esquecer a intenção do autor é ficar na casca e esquecer o miolo. E lamber o papel e jogar fora o doce.
Palavra de fé: “Um belo dia nascemos, e, depois disso, seremos como se jamais tivéssemos sido!”. (Sabedoria 2,2)
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011
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