Mostrando postagens com marcador Frei Patrício Sciadini. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Frei Patrício Sciadini. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Amor: Pedra Angular da Família

A família não está desestabilizada só na Europa ou nos países desenvolvidos, ou nos países marcados pela pobreza extre­ma. Está desestabilizada não só entre os católi­cos, mas também em todas as religiões, mesmo naquelas onde se pensa que a estrutura familiar seja sólida. O que falta à família humana? Por que há traições matrimoniais ou por que filhos re­voltados matam os pais e pais raivosos renegam o que eles mesmos geraram?

A família não está em crise, ela por si mesma, como a vida humana, é crise, que se alterna com tempos de bonança para depois voltar o grito da tempestade. Há famílias, isto é, eu e você, visto que ninguém pode viver sozinho, que acreditam, que buscam a pedra angular sobre a qual se pode construir o relacionamento humano afetivo, sexual, políti­co, social. Esta pedra angular é o amor.

Santa Teresa de Ávila diz: "o maior proble­ma é que não sabemos o que seja o amor". É ver­dade. Hoje falamos, como sempre se tem falado, de amor, mas não sabemos sempre concreti­zá-lo na vida de cada dia. Na maioria das vezes entendemos por amor a própria satisfação, os próprios gostos, ter todos ao nosso serviço, para que façam tudo o que nós desejamos.

É a busca do prazer próprio, sem levar em consideração o outro. Este tipo de amor lentamente se revela como um câncer, vai penetrando e apodrecendo a beleza da vida, o amor, para ser verdadeiro, deve ser atento ao outro, capaz de esquecer-se de si mesmo, da própria felicidade, e ver a felicidade do ­outro que caminha ao nosso lado. Só posso ser feliz fazendo felizes os demais.

Na família, a pedra fundamental sobre a qual se deve construir o futuro não são coisas, nem beleza, nem juventude, nem saúde, nem projeção, porque tudo isto passa como vento e um belo dia podemos no levantar pobres, doentes, velhos, sem trabalho, mas nunca nos levantare­mos sem amor e sem vida.

É preciso sentar-se como Jesus junto ao poço da vida e saber pedir a água aos que vêm buscá-la. Não impor, não dominar, só pedir... e lentamente estaremos em condição de dar a água que trazemos no poço do coração, uma água viva que jorra do alto.

Deixemos de olhar nossa pequena sombra, pensando só em nós mesmos, comecemos a olhar o que o outro espera de mim para que seja feliz. Todo o amor autêntico, verdadeiro, sabe dizer sim e sabe dizer não. Todo sim e todo não que pronunciamos devem fazer crescer o ser humano, a glória de Deus. Nunca o nosso sim e não devem diminuir-nos e diminuir os outros.




Palavra de fé: “Tua mulher será em teu lar como uma vinha fecunda. Teus filhos em torno à tua mesa serão como brotos de oliveira” (Salmo 127/128,3)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Família: lugar de santas divergências

Não há dúvida de que a família é a celular vital da Igreja, da sociedade e que o futuro da harmonia da humanidade depende da harmonia das famílias que, unidades pelo amor, lutam para que haja igualdade e solidariedade.

A civilização do amor, tão desejada pela Igreja, se inicia na família. O grande investimento que é necessário fazer para o futuro, mesmo das vocações, é a família. Das famílias santas, Deus vai chamar jovens para que trabalhem em tempo integral no serviço evangelizador, no sacerdócio, na vida consagrada e no engajamento apostólico. Não há também como duvidar que os meios de comunicação, logicamente não todos, não estão preocupados com o bem estar econômico e estrutural das famílias, mas vivem injetando nas famílias a destruição dos valores para que o individualismo cada vez mais violento divida e rompa a unidade do amor conjugal.

Falar de família unidade não significa uma família no estilo patriarcal, ditatorial, onde o pater familiae manda e desmanda, senhor da vida e da morte, decide tudo o que deve ser feito, não consulta ninguém e determina desde a vocação dos filhos ao que se deve comer e aonde se deve ir. A família está inserida na sociedade hodierna, portanto, influenciada pelos meios de comunicação e em processo de crescimento na busca de uma sua maneira de viver, sem perder a sua identidade de união e amor. Não podemos e nem devemos pensar numa família nivelada por baixo ou por cima, sem o exercício amoroso da liberdade, do diálogo e da busca da verdade.

Neste sentido, na família há santas divergências que devem ser não sufocadas, mas sim compreendidas como uma riqueza que faz crescer a família, os indivíduos. O pluralismo na unidade vale também no que diz respeito à família, cada membro tem direito de expressar a sua opinião, os seus desejos para sua felicidade, e buscar a realização da própria vocação sem ferir a unidade e o amor. O fio de ouro que une as divergências familiares é o fio do amor mútuo, do respeito e da unidade. A família não pode ser um “bloco monolítico” fechado em si mesmo, mas sim aberto a novos caminhos e horizontes. Brigas, desentendimentos, divergências, sempre as encontraremos em todo grupo humano que se une, sejam quais forem os motivos da união. É só pensar na comunidade que Jesus criou com seus apóstolos onde Ele mesmo ensina que o que deve estar no centro não é projeção de um ou de outro, mas sim o serviço é o amor.

Ter opiniões diferentes não é impor e ficar amuado, nervoso se os outros não aceitam o que nós pensamos, mas que estas divergências não firam nem o amor e nem a unidade, e sejam motivos de busca da verdade na caridade. A caridade na verdade. Pensar diferente significa que temos uma cabeça diferente, uma inteligência, uma visão diferente, mas o objetivo deve ser o mesmo, criar uma família onde reina o amor que supera todas as diferenças.



Palavra de fé: “Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência”. (Eclesiástico 3,9)