terça-feira, 15 de maio de 2012

Promessa é dívida?




Dívida e pagar: duas palavras infelizes usadas no ditado popular sobre cumprir promessas. Deformam o sentido e o valor bíblico-teológicos do tema.

O ato de prometer é atitude norma na mera convivência com os outros em todas as relações humanas.

Haveria convívio humano alheio às promessas no sentido de “palavra empenhada” e o consequente valor moral: fidelidade do promitente?  Prometer é mais que o propósito e a intenção.

Do ponto de vista religioso fazer promessa é um fenômeno universal. Ela é uma das vertentes da religiosidade popular vivida em todas as classes sociais, mais ainda nas pobres e humildes. O ato de prometer faz um salto qualitativo quando envolve o divino. Mas, ver na promessa uma troca, um negócio com Deus é um perigo não desprezível que a anula.

Aí não cabe prometer nada! Igualmente se no conteúdo ou na formulação entrarem a superstição, a crença mágica em pretensas forças misteriosas que o promitente poderia manipular.

Não imposta por mandamento divino a promessa é devoção válida se programada com reflexão, lucidez e temor filial a Deus.

Sob pressão emocional forte como doenças e angústias maiores é bom pensar duas vezes. Nunca fazê-la para outra pessoa cumprir sem aprovação consciente dela.

Às vezes não se tem uma noção clara, outras, promete-se o que não se pode cumprir ou coisas fúteis.

Prometer coisas muito difíceis será sincero? Não é preciso antes ter coerência com toda a vida cristã, ligar-se de fato à comunidade, buscar uma conversão maior a Deus na oração humilde e na gratidão fiel?

“É melhor não fazer promessas do que fazê-las e depois não cumprir” (Eclesiastes, 5,4).

Podemos mudar a promessa por outro ato equivalente ou de maior valor espiritual. Em coisas mais graves e dúvidas de consciência é costume recorrer ao sacerdote onde for viável.

Na Bíblia a promessa é a raiz da História da Salvação. A promessa do próprio Deus falando. Sua Palavra é Promessa! Deus é fiel a sim mesmo apesar da infidelidade do povo aliado. Confiar nele é o caminho bíblico para se ter um coração novo. O discípulo de Jesus faz do comprometer-se a linguagem fundante do amor: prometo ser fiel!


Pe. Antônio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R


Palavra de fé: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Marcos 14,38)

Uma lição para a vida




Tempos atrás, eu era vizinho de um médico, cujo "hobby" era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias. O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava. Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer. Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.
Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo. Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei.
Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência. Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes. Meu antigo vizinho havia realizado seu sonho!
O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno.
Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores, praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda. Efeito curioso, pensei eu...As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto do tratamento mais fácil jamais conseguiria.
Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos. Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido. Freqüentemente, oro por eles. Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis:
"Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo"...
Tenho pensado, entretanto, que talvez seja hora de alterar minhas orações.
Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos.
Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais.
Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.
Portanto, pretendo mudar minhas orações.
Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida não é muito fácil. Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.
Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente,
ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.

Autor desconhecido

Palavra de fé: “Entre a manhã e a tarde muda o tempo, e tudo isso acontece num instante aos olhos de Deus” (Eclesiástico 18,26)

sábado, 12 de maio de 2012

Quem tem mãe não tem medo




Não é fácil ser mãe, ainda mais nos dias de hoje. Ser mãe ‘obriga’, pelo menos, teoricamente uma total doação.

Na época da ditadura militar, o caricaturista e jornalista Henfil ‘usava’ a sua mãe para fazer críticas ao regime. Através de cartas publicadas na revista ‘Isto é’, contava não só para ela, mas para todos os brasileiros, os desmandos dos generais e seus aliados. Ironia ou não, Henfil não teve problemas com a censura, pelo menos com esse trabalho. Em 1980, lançou o livro ‘Cartas da mãe’, que reúne as cartas publicadas na revista. No prefácio, resume: “Quem tem mãe, não tem medo!”.

É exatamente esta a sensação que a mãe nos traz... Com ela, parece que a gente pode tudo: ir bem na escola, ficar bom quando estamos doentes, resolver aquele problema que aparentemente não tem solução, além, é claro, de nos sentirmos um dos seres mais amados da face da terra!.

Talvez para elas a situação seja complicada. Não é fácil ser mãe, ainda mais nos dias de hoje. Ser mãe ‘obriga’, pelo menos teoricamente, uma total doação. Nessa entrega, sacrificam-se sonhos, projetos, carreira... mas o melhor é poder escutar de muitas delas que tudo isso vale a pena.

Neste mês também de Maria, Mãe de todos nós, vamos pedir por todas as mães do mundo. Que elas sejam mais compreendidas e valorizadas. Que sua força e poder para amar sejam cada vez mais fortalecidos. Que a Mãe do Céu, tire de uma vez todos os nossos medos e nos ensine a ser pessoas melhores. Que Ela olhe por nossas mães, para que inspiradas no seu exemplo, contribuam de uma forma mais eficaz para que haja mais amor no mundo, afinal, quem é que não precisa disso?

Cristina Thomaz

Palavra de fé: “Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro”. (Eclesiástico 3,5)


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Humildade e Covardia




Para compreender as diferenças, como está no dicionário:

- humildade – virtude que nos dá sentimento das nossas fraquezas; modéstia; demonstração de respeito; de submissão.

- covardia – medo; ações que demonstram medo ou perversidade; fraqueza de ânimo, timidez.

Muita confusão existe em torno dessas duas palavras, em relação à conduta humana e espiritual. Humildade quer seja consciente ou inconsciente, é uma virtude da alma. Geralmente os humildes sabem agir de maneira compreensiva, diante de qualquer falta por eles cometida, tem bom senso. Leia e medite: “1 Pedro 5,5-7”.

Já o covarde reage de maneira agressiva e destemperada, devido a falta de argumentação, falta de confiança em si mesmo, à falta de equilíbrio mental e emocional, e falta de sinceridade. Assim são os covardes. Acumulam erros nos seus atos, nas suas ações e em seus relacionamentos. Daí advém o medo e a covardia que o impelem para ações desagradáveis aos outros e a Deus: “2 Timoteo 3,1-5”. Cuidado!

Os covardes são cínicos e grosseiros quando explodem. Essa baixeza é fruto do medo e da consciência que eles tem de si mesmos, da falta de capacidade, ou seja, da falta de humildade para reconhecer seus erros e limitações em se contato diário com os demais.

Como vemos a diferença entre o humilde e o covarde é grande. O humilde é corajoso, sem arrogância; tem pensamentos positivos; é otimista sem exageros; é virtuoso e discreto; é sincero e solícito sem segundas intenções; é amigo desinteressado. É autêntico e transparente, procura aprender, sabe reconhecer suas faltas e defeitos, não se aborrece, procura corrigir-se quando repreendido, enfim, ser humilde é ter virtude e privilégio das grandes almas, é ser exemplo e, ao mesmo, sabe aprender sempre que preciso.

Palavra de fé: “As palavras agradáveis são como um favo de mel; doçura para a alma e saúde para os ossos”. (Provérbios 16,24)

“O perverso cava o mal; há em seus lábios como que um fogo devorador”. (Provérbios 16,27)


terça-feira, 8 de maio de 2012

A palavra é... Leigo.




Diante de um determinado assunto específico sobre o qual não temos domínio é muito comum dizermos que somos “leigos no assunto”. Nesse mesmo sentido o Dicionário Aurélio nos diz que um dos significados de leigo é “aquele que desconhece ou conhece pouco determinado assunto”.

Em alguns contextos, como por exemplo, o político, leigo foi utilizado como sinônimo de quem não tem religião. Dessa maneira, logo após a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, um de decreto dizia que o Brasil seria um estado leigo. Essa declaração foi reafirmada pela Constituição de 1988.

No entanto, o uso de leigo como sinônimo de quem não tem religião ou não entende determinado assunto é impreciso e, de certa forma, incorreto.

Leigo é uma palavra derivada do grego laikós – “alguém do povo”, da raiz laos – “povo”. Portanto, quando utilizado pela Igreja, leigo é sinônimo de Povo de Deus.

O Concílio Vaticano II (1962-1965), na Lúmen Gentium, nos diz que “pelo nome de leigos estão compreendidos todos os cristãos, exceto os membros de ordem sacra e do estado religioso aprovado pela Igreja. Esses fiéis pelo Batismo foram incorporados a Cristo, constituídos no Povo de Deus e a seu modo feitos participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo”. (LG 31).

Os leigos são os principais protagonistas da evangelização. Eles cumprem no mundo o papel do “fermento na massa” (Mateus 13,33). Os leigos exercem no mundo do trabalho e na sociedade um papel fundamental. Sua presença e perseverança é fundamental para a difusão do evangelho na vida cotidiana.

Uma importante contribuição sobre o papel do leigo na evangelização foi dada pela Conferência de Puebla (1979): “o leigo é homem de Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja” (Puebla, 786). É dessa forma, agindo no coração do mundo, que os leigos como membros povo de Deus e protagonistas da Evangelização e da promoção humana exercem seu poder transformador por meio da Boa-Nova.

Palavra de fé: “Se meu pai e minha mãe abandonarem, o Senhor me acolherá”. (Salmo 26/27,10)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Seio oculto




O lar é o seio oculto onde todas as dores se apagam; onde o pranto encontra consolo; onde a doçura e o carinho de mãe perdoam e aquecem, dando ternura e conforto materno; onde o sorriso meigo é sincero da fiel amizade amorosa, enobrece a jornada dando vida à vida.

O lar representa famílias e destinos. Respeitá-lo e encará-lo a sério é dever, pois ele é o berço das crianças, a escola, o templo fraterno, o pão de cada dia é o conforto doméstico de onde deriva todo contentamento que impulsiona as criaturas para as nobres e virtuosas realizações.

O lar é o esteio de todas as belas coisas que no mundo existe; é o jardim de onde nascem as lindas flores que alegram a existência com seus ingênuos sorrisos, com suas virtudes e peraltices, que é a nobre criança, botão ou flor, partindo pela vida afora na longa caminhada, aprendendo e vivendo, transformando-se num ser eficiente, segundo sua índole. Talvez num sábio, filósofo, inventor ou santo, cuja semente a ser semeada e fertilizada nesse sublime jardim, é a rosa “flor mulher”, que significa tudo no destino de um lar e na missão divina de mãe, que cumprindo seu dever poderá transformar um mundo de conflitos e ambições incertas, num eterno paraíso e fazer do Universo um “Doce Lar”.


Palavra de fé: “Ouve, meu filho, a instrução de teu pai: não desprezes o ensinamento de tua mãe”. (Provérbios 1,8)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Felicidade



Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amos dos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo...

Fernando Pessoa

Palavra de fé: “Meu filho, conserva tua alma na doçura, e dá-lhe a honra que merece”. (Eclesiástico 10,31)